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“Em tudo dai graças”, como assim?

Por William Lane

Por que agradecer por algo ainda não recebido?
O crente está desempregado. Pede oração para o pastor, participa das reuniões de oração ou campanhas da igreja. Deus atende à oração e o irmão ou irmã recebe a oferta de um novo emprego. Em seguida, dá seu testemunho de como Deus respondeu sua oração. Depois disso quase não se vê mais o irmão nas atividades da igreja e muito menos na reunião de oração. O que aconteceu? A oração nesse caso foi o meio para se alcançar um objetivo pessoal. Uma vez alcançado, a oração se torna secundária ou supérflua. Vista desse modo, a ação de graças é outra maneira de dizer a Deus ‘muito obrigado!’.

Muito do que se diz e escreve ultimamente a respeito da oração está relacionado a ter fé, poder, perseverança, obter respostas e etc. Pouco se fala a respeito da adoração, da gratidão ou ação de graças, do lamento, da confissão e da entrega ou renúncia. Mesmo quando se fala de ação de graças, ela é entendida como gratidão por uma bênção recebida, por uma vitória ou conquista. Isto é, ação de graças é vista como posterior a um fato ou resposta de Deus. Enquanto não obtemos essa resposta, não temos o porquê agradecer.

Ação de graças é mais que um simples “muito obrigado”
Em seu livro Oração: o refúgio da alma, Richard Foster, que tem escrito muito sobre oração, meditação e formação espiritual, descreve vários tipos de oração. A primeira vista, não encontramos um capítulo específico sobre a oração de ação de graças ou de gratidão. Isso porque ele a trata no capítulo sobre adoração. Ele diz que embora seja comum distinguir a ação de graças do louvor – o primeiro diz respeito ao que Deus faz e o segundo ao que ele é – na verdade, a ação de graças e o louvor são dois lados da adoração. E a adoração é um anseio espontâneo do coração por adorar, magnificar e bendizer a Deus.

Compreendida nesses termos, a ação de graças não é um simples ‘muito obrigado’. Não se resume a reconhecer que Deus atendeu a um pedido e súplica. Ação de graças é muito mais do que isso. Paulo fala aos Tessalonicenses que regozijem sempre, orem sem cessar e em tudo deem graças (1Ts 5.16-18). A expressão “em tudo” é frequentemente traduzida “em todas as circunstâncias”. O sentido é esse mesmo. Paulo exorta os cristãos a darem graças em todas as situações. Mais do que uma forma de oração ou um testemunho por uma oração respondida, a ação de graças é um modo de oração incessante, isto é, uma atitude de vida, uma disposição de constante gratidão e exaltação diante das diversas circunstâncias da vida.

Como dar graças quando tudo vai mal?
Mas como dar graças quando tudo vai mal? Não seria uma forma de negação, de apatia e de ilusão agradecer a Deus em meio ao sofrimento e a dor? É verdade que a Bíblia, particularmente os Salmos, nos ensina também a oração de súplica ou lamento, oração em que o indivíduo abre seu coração e derrama diante de Deus sua dor e sua queixa. Mas como diz Foster a adoração é o ar que toda oração respira, o oceano em que toda oração nada. Todas essas formas ou modos de oração não deixam de exprimir a adoração a Deus.

Por isso, ação de graças tem muito mais a ver com uma disposição, uma atitude. Desse modo, ela não é apenas posterior ao fato concretizado, à resposta atendida. A ação de graças é uma disposição de submissão e adoração a Deus. Em meio ao sofrimento, a ação de graças nos coloca em atitude de devoção abnegada e nos conduz a Deus. Ela nos faz desviar nossos pensamentos de nós mesmos e nossos problemas para Deus, aquele que nos sustenta e nos fortalece.

Além disso, a ação de graças é uma forma de o indivíduo se submeter a Deus. Bunyan diz que o objetivo da oração é nos rendermos à vontade de Deus. Por isso, com a ação de graças reconhecemos a direção e o cuidado de Deus em nossa vida.

Dar graça em tudo implica, então, em reconhecer que nossa vida está nas mãos do Deus Pai, que vivemos sob o senhorio de Cristo e somos sustentados pelo Espírito Santo. Mesmo em meio a lutas podemos dar graças, não como meio de negar o sofrimento e a dor, mas como submissão a Deus e como meio de alcançarmos seu gracioso consolo e força, apesar das aflições.

William Lacy Lane (billy)
Pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento e diretor acadêmico da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina (PR).
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Quanto à conversão: o que Deus faz e o que o homem faz?

O que é conversão?

 

Conversão é um giro de 180 graus na vida de uma pessoa. É virar completamente as costas para o pecado e voltar-se em direção a Cristo para a salvação. Da adoração aos ídolos para a adoração a Deus. Da auto justificação para a justificação de Cristo. Do autogoverno para o governo de Deus.

 

Conversão é o que acontece quando Deus desperta aqueles que estão mortos espiritualmente e os capacita a se arrependerem de seus pecados e terem fé em Cristo.

 

  • Quando Jesus nos chama a nos arrependermos e crermos, ele está nos chamando para a conversão. É uma mudança radical naquilo que nós cremos e fazemos. (Marcos 1.15)

 

  • Quando Jesus nos chama para tomarmos nossa cruz e para o seguirmos, ele está nos chamando para a conversão. (Lucas 9.23)

 

  • Para que venhamos a nos arrepender, Deus tem que nos dar nova vida, novos corações e fé (Efésios 2.1, Romanos 6.17, Colossenses 2.13, Ezequiel 36.26, Efésios 2.8, 2 Timóteo 2.25).

 

Conversão não é

 

  1. Um evento único que não tem implicação alguma na forma como vivemos. A conversão ocorre, sim, em um momento único, e é um momento de mudança radical. A vida deve parecer diferente a partir de então. Uma nova batalha começa.

 

  1. Uma jornada sem destino algum. A conversão pode ser precedida por um longo processo no caso de alguns, mas ela sempre envolve uma decisão compromissada de se arrepender do pecado e confiar em Cristo, o que é o resultado imediato de Deus dar uma nova vida para um pecador que estava espiritualmente morto.

 

  1. Opcional. Atos 17.30 diz que Deus ordena que todos, em toda parte, se arrependam. A conversão nunca pode ser forçada, mas ela é absolutamente necessária para que alguém seja salvo.

 

  1. Uma conversa. Embora os cristãos devam comunicar o evangelho de forma humilde, nossa meta não é meramente uma troca agradável de informação. Nós temos que chamar todos a se arrependerem de seus pecados e confiarem em Cristo para a salvação.

 

  1. Dizer uma oração pré-formulada. A conversão certamente envolve oração, mas temos que ser cuidadosos para não tentarmos as pessoas a colocarem sua confiança em um conjunto especial de palavras.

 

O que Deus faz na conversão?

 

Conversão não significa que “Deus ajuda aqueles que se ajudam”. A mudança de que precisamos é tão radical que somente Deus pode fazê-la. Na conversão, Deus dá vida aos mortos e vista aos cegos. Na conversão, Deus dá os dons do arrependimento e da fé.

 

  1. Deus resplandece a luz! 2 Coríntios 4.6 diz que, assim como Deus resplandeceu a luz nas trevas da criação, assim ele “resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”.  Como você chegou a entender o evangelho e crer nele? Deus resplandeceu luz no seu coração, criando entendimento espiritual onde não havia nada.

 

  1. Deus nos vivifica! Efésios 2.5 diz que, mesmo quando estávamos “mortos em nossos delitos”, Deus “nos deu vida juntamente com Cristo”. Nós não estávamos doentes, dormindo ou morrendo. Nós estávamos mortos, e Deus nos vivificou. Em João 3, Jesus descreve isso como um nascer de novo pelo Espírito Santo. Na conversão, Deus nos dá o novo nascimento, capacitando-nos a nos arrependermos e crermos no evangelho.

 

  1. Deus nos liberta! Colossenses 1.13 diz que ele nos liberta do império das trevas e nos transporta para o reino do Filho do seu amor. A conversão é como um resgate militar em que Deus nos liberta de nosso aprisionamento ao pecado e nos coloca em seu reino glorioso.

 

  1. Deus concede arrependimento e fé! De uma perspectiva humana, a conversão consiste em nos arrependermos de nossos pecados e crermos em Cristo. Ainda assim, a Escritura ensina que tanto o arrependimento como a fé vêm a nós como dons de Deus (veja Filipenses 1.29, Atos 11.18).

 

A conversão é, fundamentalmente, um ato divino que Deus faz em nós e para nós. Em resposta à sua obra soberana e unilateral, nós nos arrependemos e cremos.

 

O que as pessoas são responsáveis por fazer na conversão?

 

As pessoas são responsáveis por fazer duas coisas: arrependerem-se e crerem. A conversão é um radical virar das costas para o pecado e um voltar-se para Deus através da fé em Cristo. Jesus resumiu o que os homens devem fazer na conversão quando ele ordenou aos seus ouvintes: “arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15).

 

O que significa se arrepender?

 

  1. Arrependimento significa reconhecer que você é um pecador (Atos 3.19).
  2. Arrependimento significa renunciar ao pecado e decidir obedecer a Cristo (Lucas 9.23; Romanos 2.4).
  3. Arrependimento significa lamentar pelo pecado e regozijar-se por aceitar Jesus como seu novo Mestre e Senhor (2 Coríntios 7.10; Romanos 6.12-23).
  4. Arrependimento não é o fim da batalha, mas o início de uma (Gálatas 5.16-17).

 

Em que temos que crer? Temos que crer no evangelho!

 

  1. Crer que Deus é o santo criador do universo, o Senhor de tudo (Isaías 6.1-5; Gênesis 1.1; 1 Timóteo 6.15-16).
  2. Crer que você é um pecador e que merece a justa ira de Deus (Romanos 1.18; Romanos 3.23).
  3. Crer que Jesus Cristo morreu na cruz para pagar a penalidade pelo seu pecado e ressurgiu da sepultura para vencer a morte e oferecer a você a vida eterna (Romanos 3.21-26; Gálatas 2.20; Atos 2.24; João 11.25).

 

Arrependimento e fé são dois lados da mesma moeda. Na conversão, nós viramos as costas para o pecado e confiamos em Cristo.

 

De: Brad Wheeler’s

Tradução: Felipe Prestes

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Irmão Geraldo

Sacrifícios

“Mas o rei disse a Araúna: Não! antes to comprarei pelo seu valor, porque não oferecerei ao meu Deus holocaustos que não me custem nada. Comprou, pois, Davi a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.”
(2 Samuel, 24)
   Neste texto Davi nos mostra o que aprendeu com a sua experiência com Deus: Ele quer manifestar a consciência de que todas as coisas vem do Senhor. Davi quer oferecer algo a Senhor que exija esforço e desprendimento. Isso demonstra o seu amor comprometido para com Deus.
Araúna era um estrangeiro naquela terra. Ele não só havia permanecido mesmo após Davi ter conquistado Jerusalém, como havia prosperado. É provável que tenha reconhecido o Senhor como único Deus e tem adotado a esta fé como seu estilo de vida. Ele percebe a importância do sacrifício e quer contribuir com tudo o que for necessário para isto, por isso, oferece a Davi a Eira (lugar onde se beneficiava o trigo, ou outra cultura), os bois e a lenha para o sacrifício. Mas Davi sabe que a responsabilidade de sua missão é pessoal, sabe que está ali para demonstrar arrependimento pelo seu pecado e não cede a tentação de seguir o caminho fácil: ele não quer usar o seu prestígio para que outra pessoa se sacrifique para que ele realize a obra que precisa fazer. Davi não quer facilidades, ele deseja fazer o melhor, daquilo que veio à suas mãos por ordem de Deus. Davi quer testemunhar da sua confiança no Deus que em todas as coisas o abençoou.
   Façamos o melhor para Deus, mostrando a Ele e a nós mesmos que não somos reféns dos bens materiais e que não há nada mais importante para nós do que servimos a Ele e ao próximo, inclusive com nossos bens. Que possamos considerar a atitude de Cristo que é Rei e veio para servir. Que o nosso sucesso e nossas conquistas não tenham mais valor do que a nossa missão.
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Lealdade ou covardia ?

“Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos.” Provérbios 27:05 e 06

Costumamos desenvolver um sentimento de proteção para com pessoas ou mesmo ideias as quais nos afeiçoamos. Este é um sentimento natural, nascido a partir da empatia e da identificação que sentimos com alguém que possui qualidades admiradas por nós ou ainda que nos inspiram ou ensinam. A nossa tendência é proteger essas pessoas ou ideias de qualquer ataque que possa danificar imagem que guardamos no coração a respeito delas.

Defender uma pessoa por quem sentimos afeição é um instinto natural, notadamente verificado nas mães, ainda que o filho não lhe dê motivos para inspirá-las ou que este instinto muitas vezes prejudique a formação moral do filho. Muitas pessoas ao defenderem uma ideologia, partido ou sistema religioso fazem exatamente isto: não são capazes de se colocar em outro ponto de vista de onde podem observar falhas, desvios e necessidades de correção justamente por sentirem-se “mães” do objeto da sua afeição.

Basta observarmos a defesa cega de partidos, ideologias ou doutrinas para notarmos o quanto é doloroso abrir mão do sonho construído em torno do objeto de afeição. É preferível negar a realidade, encontrar as mais ilógicas explicações e até, em muitos casos, utilizar-se da mentira e do auto engano para que a linda imagem construída não seja sequer arranhada.

Graças a Deus porque seu amor para conosco é isento de superproteção. Graças a Deus que o seu amor por muitas vezes dói e às vezes dói muito, basta olharmos para a História de Israel. A afeição de Deus é totalmente desvinculada de qualquer interesse pois Ele não precisa de ideais, referências, nem da construção de sonhos em torno de nada ou ninguém, pois é plenamente suficiente em si mesmo. Ele ama por escolha e o seu amor se manifesta muitas vezes quando toca na ferida ainda aberta, quando utiliza a tristeza como ferramenta necessária ao arrependimento (II Coríntios 7:10) ou quando nos confronta para nos trazer de volta a realidade. A sua negativa é prova do seu cuidado.

A pergunta que precisamos fazer é: estou disposto a amar na perspectiva de Deus ? Estou disposto a confrontar o meu amado ou amada afim de abrir os seus olhos a respeito das atitudes que ele toma muitas vezes até sem ter consciência delas ? Tenho coragem suficiente para criticar os grupos as quais pertenço, ideias ou movimentos pelos quais levanto bandeiras ? Uma pessoa que não recebe críticas e nunca é repreendida, na verdade vive isolada da realidade (Provérbios 18:1). Amar implica em ter a coragem de repreender, exatamente como Jesus ensinou (Mateus 18:15). A repreensão nestes moldes é na verdade um ato de amor. Mesmo os fariseus, duramente censurados por Ele, foram objetos do seu amor. Não confrontar as pessoas por quem temos afeição não é lealdade, na verdade, é covardia, pois por mais que isso possa nos afastar delas ou nos trazer constrangimento, no tempo certo, de uma forma ou de outra, elas reconhecerão que quem teve a coragem de machucá-las em nome da verdade, foi quem realmente as amou.

Pense nisso…
Pb. Geraldo Jordão de Andrade Jr.

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A revelação geral de Deus

Por: W. Robert Godfrey

Tradução: João Pedro Cavani – Revisão: Yago Martins

Original: General Revelation

Nada é mais importante do que conhecer a Deus como ele verdadeiramente é. Por essa razão, a igreja tem confessado muitas verdades sobre o nosso Deus através da história. Deus é a eterna Trindade, o Criador todo-poderoso, o sábio Sustentador, o Redentor eficaz e o Juiz que está vindo. Uma verdade não muito claramente enunciada em nossos credos é que Deus é o Revelador fidedigno. Para conhecer a Deus como ele é, ele precisa se revelar para nós.

Porque Deus é infinito, ele não pode ser totalmente compreendido por criaturas finitas. Nós estamos cegos à verdade de Deus por causa do nosso pecado. Mas antes mesmo que o pecado entrasse no mundo, nós precisávamos que Deus nos falasse sobre si mesmo. Deus sempre foi um revelador de si mesmo em suas palavras e obras. Ele falou a Adão no jardim do Éden para revelar a si mesmo e exibiu aspectos do caráter dele nas obras da criação que cercaram Adão. Os teólogos chamaram as obras de Deus – primeiramente faladas e depois escritas – de sua revelação especial, enquanto chamaram as obras de criação e providência de sua revelação geral.  A revelação geral é, como o próprio nome sugere, geral (aqueles teólogos sabiam do que estavam falando), enquanto que a revelação especial é muito mais específica, detalhada e extensa. Hoje, a revelação geral nos cerca na natureza, enquanto possuímos revelação especial na Bíblia. A revelação especial fala ao povo de Deus tudo que é revelado a respeito do caráter dele na revelação geral e muito mais.

O que exatamente, então, é a revelação geral, e por que ela é significativa? Alguns sugerem que as ciências naturais são o estudo da revelação geral e por isso vão além da revelação especial. Mas desde o Iluminismo, as ciências naturais tipicamente estudaram a criação, não para conhecer a Deus, mas para conhecer a criação, e por isso não estão focadas na revelação geral através da criação. Revelação geral, falando apropriadamente, é a clara exibição que Deus faz de sua glória e poder nas obras da criação e da providência. Como as Escrituras explicam: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite” (Salmos 19.1-2); “porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1.19-20).

Muitos anos atrás, Joan Baez, a célebre cantora folk, apresentou uma nova canção em um dos seus concertos. Ela estava prestes a cantar “The Dangling Conversation” [A Conversa Oscilante], uma canção cujo refrão é: “Be not too hard, for life is short and nothing is given to man” [“Não seja tão duro, porque a vida é curta e nada é dado ao homem”]. Ela disse como ela estava assistindo um maravilhoso pôr-do-sol com o escritor da música e perguntou: “Como você pode olhar para uma beleza dessas e dizer que nada é dado ao homem?”. O escritor pensou por um momento e replicou: “Bem, a beleza é emprestada, e não realmente dada”. O salmista teria sorrido e entrado na conversa dizendo: “Se a beleza do pôr-do-sol é dada ou somente emprestada, isso aponta indubitável e inescapavelmente ao Ser Divino que dá ou empresta. Este é o caráter indispensável da revelação geral”.

Os pecadores podem resistir e negar essa revelação geral, mas não podem escapar dela. Toda a natureza, em todo tempo, grita a existência, o poder e o esplendor de Deus. Os pecadores podem fechar os olhos e tapar as orelhas, mas a revelação geral continua evidente ao redor de todos eles. Somente quando o injusto ativamente suprimir esta verdade evidente o testemunho da revelação geral pode ser negado. Tal supressão é ímpia e tola. Por isso, as Escrituras declaram justamente: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Salmos 14.1).

Essa revelação geral é um resultado inevitável das obras da criação e providência feitas por Deus. Mas para qual propósito ela serve? Em primeiro lugar, a revelação geral é um ótimo encorajamento e apoio aos crentes ao longo da vida deles: “Grandes são as obras do SENHOR, consideradas por todos os que nela se comprazem. Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre” (Salmos 111.2-3). Mas há outra função vital na revelação geral neste mundo caído também. Paulo expressa poderosamente essa função: “Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1.20). Os pecadores são cheios de desculpas: “Eu creria somente se eu pudesse ver ou ouvir a Deus”. Paulo disse que os pecadores não têm desculpas legítimas. Aqueles que rejeitaram a revelação geral de Deus não seriam beneficiados pela revelação especial dele. De fato, todos nós, pecadores, rejeitaríamos ambas as formas da revelação de Deus sem a obra dele de especial e misericordiosa regeneração nos corações do seu povo. Certamente, seria presunçoso da nossa parte adicionar algo ao Credo Apostólico. Mas poderia muito bem ser uma melhora o dizer: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, o revelador, e Criador do céu e da terra”. Louvado seja Deus, o Revelador.

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Igrejas Saudáveis Demandam Líderes Sadios

A escolha e nomeação de líderes na igreja de Cristo é um processo de vital importância, cuja eficácia é comprometida por dois posicionamentos extremos.

Por um lado, muitas pessoas potencialmente capacitadas pelos parâmetros apresentados nas Escrituras, não se imaginam atuando como líderes, pois têm seus conceitos sobre liderança permeados por paradigmas humanos, ultrapassados e não valorizados por Deus.

Para estas pessoas, os líderes têm habilidades naturais que não podem ser aprendidas. Pensam que líderes são aqueles indivíduos visivelmente percebidos como tal, porque tendem a impor melhor suas ideias e conseguem manifestar sua influência sobre outros com muito mais intensidade do que são influenciados por estes.

Indivíduos com esse perfil são rotulados de “líderes natos” – aqueles superdotados no campo dos relacionamentos, cuja ascendência nas relações é notada desde a mais tenra idade.

O sentimento de incapacidade é inevitável para muitos que possuem esse elevado e distorcido conceito sobre liderança cristã. Como consequência, a igreja de Cristo fica desfalcada de pessoas de valor que poderiam atuar com muita relevância na sua edificação.

Por outro lado, as demandas carentes de líderes se avolumam e mesmo imbuídos da mais nobre intenção de fazer com que as coisas na igreja aconteçam, somos impulsionados a nomear líderes ignorando as orientações bíblicas que deveriam nortear este ato.

As escolhas são direcionadas pela necessidade e, quando muito, por aquilo que se conhece das credenciais humanas, mas não pelos critérios apresentados nas Escrituras.

As experiências profissionais, as habilidades naturais e às vezes somente o fato de alguém aceitar o desafio são os elementos considerados suficientes para conduzir o processo. Como consequência, a igreja de Cristo acaba sendo liderada por pessoas biblicamente desqualificadas, cujas atuações são altamente prejudiciais à saúde do corpo de Cristo.

Deste modo, em um extremo verificamos uma busca utópica pelos poucos naturalmente superdotados conforme paradigmas mundanos, e no outro extremo uma postura igualmente equivocada que pressupõe que qualquer pessoa serve.

À luz dessas considerações, faz-se necessário desmistificar a liderança cristã, sem diminuir sua grandiosidade, e buscar na Palavra de Deus os princípios estabelecidos por Ele para colocar alguém nesta posição.

Se quisermos atuar em obediência ao Senhor, não podemos admitir procedimentos de identificação e nomeação de líderes que ignoram os Seus critérios para a escolha dos líderes da Sua igreja.

A Palavra de Deus nos apresenta em 1Timóteo 3 e Tito 1, os parâmetros essenciais para a escolha dos oficiais da igreja de Cristo, sejam eles bispos (ou supervisores), sejam eles diáconos.

Os candidatos a ficarem em uma posição de evidência na igreja de Cristo, quer liderando algum ministério, quer atuando no diaconato, deveriam ser submetidos ao crivo dessas passagens. São essas qualificações que Deus espera encontrar nos candidatos a líderes do Seu rebanho.

 

Com tudo isso em mente, destaquemos alguns aspectos essenciais derivados de uma análise mais cuidadosa destas duas passagens:

Em primeiro lugar é interessante perceber que não vemos nestas passagens a busca por aquelas habilidades normalmente esperadas em um “líder nato”. Deus não busca pessoas que “vendam bem suas ideias”, ou que influenciem outros com sua personalidade forte, ou mesmo que possuam experiências significativas no mercado de trabalho.

Pelo contrário, Deus estabelece características que são virtudes cristãs acessíveis a todo servo fiel, e que podem ser didaticamente agrupadas da seguinte forma:

– Liderar um lar bem constituído (marido de uma só mulher, filhos fiéis e bem comportados sob disciplina – “pois se alguém não lidera a própria casa como cuidará da igreja de Deus?”. A hospitalidade requerida do líder também está relacionada com seu lar – é como se o mesmo dissesse “podem ficar em casa – não tenho nada a esconder!”).

– Comportar-se exemplarmente (irrepreensível, bom testemunho dos de fora, primeiramente experimentado, justo, fiel em tudo, piedoso, respeitável, amigo do bem).

– Exalar humildade (modesto, não arrogante, não neófito – para não se ensoberbecer).

– Comunicar-se com santidade (uma só palavra, não maldizente)

– Demonstrar autocontrole (domínio de si, sóbrio, temperante, não violento, inimigo de contendas, cordato, não dado ao vinho)

– Evidenciar desapego material (não avarento, não cobiçoso de torpe ganância).

– Manejar bem a Palavra da Verdade (apto para ensinar, apegado à palavra fiel, poder para exortar no reto ensino e convencer os que contradizem). Percebemos assim que a única habilidade requerida é o manejo competente das Escrituras – tanto no ensino didático quanto na contestação dos

opositores. Todas as outras exigências são atributos do caráter cristão.

Em segundo lugar é necessário admitir, como desdobramento natural desse entendimento aliado à disposição de obedecer ao Senhor, que será necessário em alguns contextos, tomar a corajosa decisão de não realizar alguma obra por falta do obreiro qualificado, ou não preencher algum cargo pela mesma razão.

Finalmente é imperativo ressaltar a importância de se investir em vidas, através do discipulado cristão, como plataforma de formação e capacitação de líderes sadios. Tal investimento não apresenta retorno imediato. A formação do caráter cristão e da destreza na Palavra é um processo de longo prazo. Entretanto, é mandatório que se plante no presente para que se obtenha frutos aptos no futuro!

Líderes sadios são líderes multiplicadores, que constantemente derramam um pouco de suas vidas em outras vidas objetivando despertar outros líderes sadios e multiplicadores (2Tm 2:2).

Idealmente, uma igreja saudável deveria ter sempre bem mais pessoas qualificadas, ou líderes em potencial, do que líderes em exercício – pois as virtudes esperadas dos líderes são na verdade manifestações da piedade, que são, a rigor, o padrão de Deus que deveria ser almejado por todos os seus filhos.

 

Autor:
Vlademir Hernandes

Casado com Renata com quem tem dois filhos – Raíssa e Rodrigo.Bacharel em Análise de Sistemas Administrativos pela PUC Campinas.

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Deusdetit e Marly: uma história de amor inspiradora

20160529_191736[1]“As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam. “

Cantares de Salomão 8:7

Momentos emocionantes na celebração deste domingo na ICRV. Bodas de ouro do  Pastor Deusdetit e irmã Marly (ou Marlyzinha, como ele carinhosamente se refere a ela). Cinquenta anos de união, cinquenta anos de exemplo para várias gerações que são testemunhas do amor e do cuidado mútuo que esses amados demonstram todos os dias a seus filhos biológicos e espirituais. Celebramos a Deus pelo seu exemplo e pedimos as bênçãos de Dele por muitos e muitos anos. Nada pode separar o que Deus uniu !