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Sempre abusando de “Semper Reformanda”

Por: R. Scott Clark

As igrejas reformadas têm alguns slogans maravilhosos que são repletos de verdades importantes. Às vezes, no entanto, esses slogans podem ser mal interpretados, mal comunicados e mal compreendidos. Com a possível exceção de Sola Scriptura (a Escritura somente), nenhum desses slogans foi mais frequentemente deturpado com maior prejuízo do que ecclesia reformata, semper reformanda (a igreja reformada, sempre se reformando). De acordo com o historiador Michael Bush, muito do que imaginamos que sabemos sobre esse slogan provavelmente está errado. A frase não é do século dezesseis. Procurei centenas de documentos em uma variedade de línguas dos séculos dezesseis e dezessete, e a expressão ecclesia reformata, semper reformanda não ocorre neles. Nem o termo semper reformanda (sempre se reformando). Certamente, os escritores reformados falaram de uma “igreja reformada” e da necessidade de reforma. Mas homens como Calvino, que publicou um tratado sobre a necessidade de reforma em 1543, não usaram a frase. O ministro reformado holandês Jodocus van Lodenstein (1620-77) usou pela primeira vez algo semelhante a ela em 1674, quando justapôs “reformada” com “se reformando”, mas ele não disse “sempre”.
O teólogo reformado holandês Jacobus Koelman (1632-95) expressou ideias semelhantes e as atribuiu ao seu professor Johannes Hoornbeek (1617-66), que era um estudante do grande Gijsbertus Voetius (1589-1676). Nenhum deles acrescentou a expressão secundum verbum Dei (segundo a Palavra de Deus). A fonte dessa frase é quase certamente o professor do século vinte, Edward Dowey, do seminário de Princeton (1918-2003).
Van Lodenstein e os outros faziam parte de uma escola de pensamento na Holanda que estava intimamente ligada à teologia, à piedade e à prática reformada inglesa representada por escritores como William Perkins (1558-1602) e William Ames (1576-1633). Eles se identificavam como parte de uma “Reforma Adicional” (Nadere Reformatie). Como Perkins, Ames, os teólogos da Assembleia de Westminster (1643-48) nas Ilhas Britânicas e o grande Sínodo internacional de Dort (1618-19), essa escola de pensamento estava preocupada com que a igreja não voltasse ao erro e à escuridão; e desejava que a igreja continuasse a buscar a pureza da doutrina, piedade e adoração.
A frase completa ecclesia reformata, semper reformanda secundum verbum Dei (a igreja reformada, sempre se reformando segundo a Palavra de Deus) é uma criação pós-Segunda Guerra Mundial. Ela teve novo impulso com o teólogo suíço reformado e modernista Karl Barth (1886-1968), que usou variações da frase com alguma frequência. As principais (liberais) denominações presbiterianas às vezes usaram variações dessa frase de maneira oficial.
De fato, a frase é mais comumente entendida como “a igreja é reformada, mas precisa ser mudada de várias maneiras”. Essa frase é frequentemente utilizada como forma de expressar insatisfação com a teologia reformada, tal como foi recebida e expressa pelas igrejas reformadas nas confissões reformadas (por exemplo, a Confissão Belga de 1561, o Catecismo de Heidelberg de 1563 e os Padrões de Westminster de 1648). Assim, em 1967, a Igreja Presbiteriana Unida nos EUA rejeitou o entendimento histórico cristão e reformado de que a Escritura é a Palavra de Deus inerrante (não erra) e infalível (não pode errar). Ironicamente, sob o mal-entendido moderno da frase a igreja reformada, sempre se reformando, a denominação afastou-se da visão reformada e adotou uma visão ensinada pelo anabatista radical Thomas Muntzer (1489-1525), a qual os reformadores conheceram e rejeitaram.
Quando Calvino e os outros escritores reformados usaram o adjetivo reformado, eles não pensaram que era algo que jamais poderia ser realizado. No fim de sua vida, Calvino comentou com outros pastores em Genebra que as coisas estavam bem constituídas, e os exortou a não arruiná-las. Ele e os outros pensavam e falavam da reforma da igreja não como um objetivo inalcançável nesta vida, mas como algo que ou tinha sido ou que poderia ser alcançado, porque eles criam que a Palavra de Deus era suficientemente clara. Ou seja, o que precisa ser conhecido para a vida da igreja pode ser conhecido e, com a ajuda do Espírito de Deus e somente pela graça de Deus, as mudanças poderiam ser feitas (e estavam sendo realizadas) de modo a conduzir a doutrina, piedade e prática da igreja em conformidade com a vontade de Deus revelada nas Escrituras. É por isso que eles escreveram ordens eclesiásticas e adotaram confissões — porque criam que a reforma era uma tarefa grande, mas finita.
Eles não imaginavam que a teologia, a piedade e a prática da igreja reformada segundo a Escritura fosse inerentemente deficiente, de tal forma que precisassem ser incrementadas por outras tradições. Ao contrário de muitos hoje que utilizam essas palavras, os reformados não percebiam a reforma como uma justificativa para o ecletismo, emprestando “um pouco disso e um pouco daquilo” para um “guisado” teológico-eclesiástico. Contudo, eles não eram restritivos. Eles eram católicos (universais) em sua teologia, piedade e prática. Eles buscaram reformar a igreja de acordo com as Escrituras, mas prestaram muita atenção ao modo como os primeiros pais leram e aplicaram a Escritura e, quando essas interpretações resistiam ao escrutínio (sola Scriptura), eles as adotavam ou restauravam.
Outro dos mais perniciosos abusos da expressão semper reformandanos últimos anos é o seu uso por adeptos do movimento autodescrito como Visão Federal. O adjetivo “federal” neste contexto não tem relação com a política civil; antes, se refere à teologia pactual reformada. Os defensores da Visão Federal adotaram esse nome para o seu movimento para destacar a necessidade de mudar a teologia reformada ou recuperar uma versão anterior, dependendo de qual deles você questionar. Eles concordam, no entanto, que toda pessoa batizada recebe uma temporária e condicional eleição, regeneração, justificação, união com Cristo, adoção e assim por diante. Após o batismo, cabe ao cristão fazer a sua parte para reter o que foi dado pela graça. Eles falam sobre a “objetividade da aliança”. Eles normalmente não aceitam a distinção reformada entre o pacto das obras e o pacto da graça, entre lei e graça, ou entre lei e evangelho. Eles rejeitam a doutrina reformada de que há duas formas de comunhão na comunidade da aliança visível (a igreja): interior e exterior. Segundo a Visão Federal, ninguém é finalmente regenerado, eleito ou justificado até o último dia. Eles redefinem ou zombam da compreensão histórica da justificação somente pelo favor divino (sola gratia), por meio da fé somente (sola fide), como “crença fácil”. Como os modernistas que nos levariam de volta aos anabatistas quanto à doutrina das Escrituras, defensores da Visão Federal buscam nos levar de volta à igreja pré-Reforma quanto à doutrina da salvação, e ao fazê-lo, eles usam a expressão ecclesia reformata, semper reformanda.
Quando Calvino e outros, nos séculos dezesseis e dezessete, escreveram sobre a igreja reformada e sobre a necessidade de reformar a igreja, estavam expressando a sua consciência de que, por causa do pecado e dos seus efeitos, a igreja tende à corrupção. Em apenas algumas décadas de recuperação do evangelho da livre aceitação por Deus por meio da fé somente, os protestantes quase perderam essa preciosa verdade na década de 1550. A Reforma pode ser e tem sido alcançada nesta vida, mas não é fácil mantê-la. Na época da Genebra do final do século dezessete, a igreja havia desfrutado do ministério de alguns dos mais corajosos ministros e mestres da Reforma: Guilherme Farel, João Calvino, Pierre Viret, Teodoro Beza e François Turretini, para citar apenas alguns poucos. No início do século dezoito, no entanto, a Reforma estava praticamente extinta em Genebra, e ainda não foi totalmente recuperada.
Há muita verdade no slogan a igreja reformada está sempre se reformando, mas nunca se pretendeu que ele fosse uma licença para corromper a fé reformada. Devemos compreendê-lo e usá-lo como um lembrete da nossa tendência de nos desviar da teologia, piedade e prática ensinadas nas Escrituras e confessadas pela igreja. Certamente as nossas confissões são passíveis de reforma. Nós, protestantes, somos unidos à Palavra de Deus como a carta régia e regra objetiva da fé e prática cristãs. Se alguém descobrir um erro em nossa teologia, piedade ou prática, somos obrigados por nossas próprias confissões e ordens eclesiásticas a ouvir um argumento a partir da Palavra de Deus. Se esse argumento prevalecer, devemos mudar a nossa compreensão ou a nossa prática. Mas não devemos, sob a cobertura desse slogan do final do século dezessete, subverter o que a Bíblia ensina por uma contínua e incessante “reforma” que nos afasta do coração e da alma do que confessamos.
Tradução: Camila Rebeca Teixeira
Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva
Original: Always Abusing Semper Reformanda
Irmão Geraldo

Tolerância ou conformismo ?

potter-1139047_960_720Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Romanos 12:2

Vivemos dias onde o relativismo nos é imposto como a maneira correta e evoluída de se pensar. Frases como: “Cada um deve buscar e viver a sua verdade”,  “A ética depende do ponto vista” e “o que é moralmente reprovado por você pode ser perfeitamente válido para mim”. Expressões de um tempo onde tudo depende das circunstâncias ou da conveniência de cada um. A noção do certo e do errado se mistura de tal forma que não se sabe mais distinguir uma coisa da outra. O relativismo prega que não existem verdades absolutas e que tudo depende do ponto de vista de quem analisa uma questão.
Do relativismo nasce o conceito do “politicamente correto”,  o qual aparentemente possui como princípios o respeito à diversidade e à liberdade de expressão,  coisas que pelo bom senso, ninguém rejeitaria.  Entretanto, de forma implícita, o “politicamente correto” traz implicações para quem anuncia os valores do Evangelho, na medida em que devemos rejeitar a possibilidade de falar sobre determinados assuntos sob a ótica cristã, pois isso seria inadequado ou “fóbico” (termo predileto pelos ativistas do “politicamente correto”) ou poderia ser considerado um ataque direto às “minorias”. Qualquer discurso contrário as suas ideologias, passa a ser taxado de “discurso de ódio”. O direito constitucional da liberdade de expressão torna-se meramente um detalhe a ser relevado.
A tolerância é a capacidade de conviver com a ideia contrária, com a visão de mundo diferenciada de forma pacífica e civilizada, mas isto não significa adotar uma postura de covardia que lhe impeça de se posicionar frente a fatos e ideias e de repreender a prática deste mundo todas as vezes que for necessário.
Jesus era “politicamente correto” ? Em Mateus 12.34, podemos ver Jesus posicionando- se de forma muito clara e incisiva. Jesus dizia a verdade sem preocupar-se se os homens iriam se ofender ou fazerem “mi-mi-mi” (Lucas 11:45). Em diversas situações, as atitudes de Cristo seriam consideradas hoje como “fóbicas”, “preconceituosas” e “politicamente incorretas”.
 “Não julgueis, para que não sejais julgados”!  (Mateus 7:1). Muita gente tem utilizado este texto para afirmar que não podemos exercer nenhum juízo de valor sobre as atitudes ou ideias alheias. Mas qual o tipo de julgamento que está revelado no contexto ? O Julgamento impiedoso, hipócrita e desprovido da graça, este é o julgamento proibido por Jesus. A bíblia não se contradiz, portanto, o próprio Cristo nos ensinou a avaliar as pessoas pelas suas atitudes  (Mateus 7.16-17) e o apóstolo Paulo afirma que a Igreja haverá de julgar o mundo (I Cor 6:2)
 No texto principal deste artigo, o apóstolo nos convoca a não nos conformarmos com o pecado e o sistema mundano de iniquidade, a pretexto de não sermos “incômodos” ou “inadequados” ou ainda para “preservar nossas amizades”. Entre o “politicamente correto” e o posicionamento como testemunha das verdades do Evangelho, fico com o segundo, lembrando as palavra de  Pedro e dos apóstolos:  “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5:29)
Pense nisto.
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Orem uns pelos outros !

Se examinarmos o texto que está registrado em  Tiago 5.16 encontraremos a instrução :  “orai uns pelos outros”. O contexto fala de intercessão por cura divina, entretanto, leia na sua bíblia passagens como estas:  1Tessalonicenses 5.25; 2Tessalonicenses 3.1, Efésios 1.15-23; Colossenses 1.9-14  e você irá constatar os pedidos de oração de Paulo, seus agradecimentos pelas orações.

No nascimento da igreja em Jerusalém depois de Pentecostes surge uma característica marcante : “eles perseveravam […] nas orações” Atos 2.42. É certo que nestas orações estão incluídas as intercessões. Mesmo no  período do Antigo Testamento, as intercessões não eram algo incomum. Veja o exemplo do profeta Samuel: “longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós” (1Samuel 12.23). Ele considerava um erro não orar pelo seu povo.

É nossa responsabilidade orar uns pelos outros.  Existem muitas situações nas quais não temos forças nem para orar e precisamos contar com a ajuda mutua em oração. A questão é:  como interceder por outra pessoa ?  Eis algumas diretrizes bíblicas que nos orientam de como orar pelo outro:

Peça iluminação de Deus sobre a vida desta pessoa:

Veja Efésios 1.18-20 Em qualquer circunstância, mesmo sabendo que existe algo especifico do qual esta pessoa precisa, ou o momento pelo qual atravessa, ter a mente aberta por Deus para lembrar-se  de suas  grandes promessas em Cristo, tem um grande efeito sobre nós mudando a forma como enxergamos as tribulações presentes.

Peça para que Deus seja glorificado na vida desta pessoa: 

Nem sempre o aquilo que  desejamos ou pedimos a Deus glorifica o Seu Nome. E se não glorifica o seu nome, também não serve para nossas vidas, pois Deus conhece nosso interior e todos os nossos caminhos. Ele é o Pai perfeito e sabe o que é melhor para os seus filhos. Em João 14.13, Jesus disse: “Tudo o que pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”. Em todas as circunstâncias ore com para que o Senhor seja glorificado na vida do irmão.

Peça para que seja feita a vontade de Deus

Leia em sua bíblia 1 João 5:14 e você entenderá que a vontade de Deus é soberana. Aquele que tem fé precisa ter esta fé na mesma medida da consciência de que Deus é supremo em seu governo e sobre nossas vidas.

 

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O que é a graça, segundo as Escrituras

Há várias décadas, no Centro de Estudos Vale Ligonier, enviamos um cartão de Ação de Graças com essa declaração simples: “A essência da teologia é a graça; a essência da ética cristã é a gratidão “. Em todos os debates sobre o nosso papel versus o papel de Deus na santificação — nosso crescimento em santidade — permaneceríamos no caminho certo se nos lembrássemos dessa dinâmica graça-gratidão. Quanto mais compreendermos quão amável Deus tem sido para conosco e quanto mais formos conquistados pela sua misericórdia, mais nos inclinaremos a amá-lo e a servi-lo.

Porém, não podemos entender corretamente a dinâmica graça-gratidão se não estiver claro o que significa graça. O que é graça? Os catecismos que muitos de nós aprendemos quando crianças nos dão a resposta: “Graça é o favor imerecido de Deus”. A primeira coisa que entendemos sobre a graça é o que ela não é — não é algo que nós merecemos. De fato, se isso for tudo o que já entendemos sobre a graça, estou certo de que Deus se alegrará de que sabemos que a sua graça é imerecida. Então, aqui está nossa definição explicativa de graça: é imerecida.

A epístola de Paulo aos Romanos lança luz sobre o que queremos dizer quando afirmamos que a graça é imerecida. Em 1.18 – 3.20, o apóstolo explica que no último dia, pela primeira vez em nossas vidas, seremos julgados em completa perfeição, em total equidade e em absoluta justiça. Assim, toda boca será calada quando estivermos diante do tribunal de Deus. Isso deve provocar temor nos corações das pessoas caídas, pois a condenação é a única sentença possível para os homens e mulheres pecadores: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3.23).

Mas aqueles que confiam em Cristo Jesus têm esperança, pois se estamos nele por meio fé, fomos “justificados gratuitamente pela sua graça”. Observe que a justificação não é realizada por obrigação, mas gratuitamente pela graça, por causa da redenção comprada por Jesus somente. Não há espaço para se vangloriar, pois não somos justificados por nossas obras, mas somente pela graça, somente por meio da fé. Paulo continua a citar Abraão como o exemplo eminente de alguém que foi justificado pela fé somente e, portanto, livre da sentença condenatória de Deus. Se o fundamento para a salvação de Abraão, sua justificação, foi algo que Abraão fez — alguma boa ação, algum serviço meritório que ele realizou, alguma obrigação que ele cumpriu — se fosse com base em obras, diz Paulo, ele teria algo sobre o que se vangloriar. Mas Abraão não tinha tal mérito. Tudo o que ele tinha era a fé, e essa própria fé era um dom: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (4.3; veja Efésios 2.8-10).

Romanos 4.4-8 é uma passagem chave aqui:

Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado.

Isso é graça. Paulo não poderia afirmá-lo de outra forma. Para quem trabalha, isso é dívida; se você merece alguma coisa, significa que alguém está obrigado a pagá-lo. Se eu contrato você como um empregado e prometo pagar-lhe cem reais caso trabalhe por oito horas, eu devo pagá-lo por trabalhar as oito horas. Não lhe faço um favor ou lhe dou graça. Você mereceu o seu salário. Você cumpriu o contrato, e eu estou moralmente obrigado a dar-lhe o seu salário.

Em relação ao Senhor, nós somos devedores que não podem pagar. É por isso que a Bíblia fala sobre a redenção em linguagem econômica — fomos comprados por preço (1 Coríntios 6.20). Somente alguém — Cristo — pode pagar a nossa dívida. Isso é graça. Não são as nossas boas obras que garantem o nosso resgate, mas apenas as obras de Cristo. É o mérito dele, não o nosso. Não merecemos nada. Ele nos concede o seu mérito pela graça, e nós o recebemos somente pela fé. A essência da graça é a sua doação gratuita e voluntária. Se fosse uma obrigação, não seria mais graça.

A graça nunca deve deixar de nos maravilhar. Deus tem um padrão absoluto, puro e santo de justiça. É por isso que nos apegamos com todas as nossas forças ao mérito de Jesus Cristo. Só ele tem o mérito que satisfaz as exigências da justiça de Deus, e ele nos concede esse mérito livremente. Não o merecemos. Não há nada em nós que suscite o favor do Senhor que conduz à nossa justificação. É pura graça.

E quanto mais entendemos o que Deus fez por nós como pecadores, mais dispostos somos a fazer o que ele exige. Os grandes mestres da igreja dizem que o primeiro ponto da santificação genuína é uma consciência crescente da nossa própria pecaminosidade. Com isso vem, ao mesmo tempo, uma consciência crescente da graça de Deus. E com isso, novamente, o amor e a vontade crescentes de obedecê-lo.

Quando verdadeiramente entendemos a graça — quando vemos que Deus só nos deve a ira, mas proveu o mérito de Cristo para cobrir o nosso demérito — então tudo muda. A motivação cristã para a ética não é meramente obedecer a alguma lei abstrata ou a uma lista de regras; antes, nossa resposta é estimulada pela gratidão. Jesus entendia isso quando disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Se eu posso ter a liberdade de parafrasear: “Guardareis os meus mandamentos não porque quereis ser justos, mas porque me amais”. Uma verdadeira compreensão da graça — do favor imerecido de Deus — sempre leva a uma vida de gratidão e obediência.

Por: R. C. Sproul

Pastor da igreja St. Andrews Chapel, na Flórida

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Uma outra visão para a prosperidade

“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.”

Filipenses 4:10 e 11

 

A carta de Paulo aos Filipenses chama a atenção pela ênfase na alegria e no contentamento cristão, sendo chamada por alguns de a “epístola da alegria”. Realmente chama a atenção o fato desta carta ter sido escrita quando Paulo estava preso e na expectativa de receber uma condenação. O texto citado acima revela a alegria de Paulo pelo fato dos Filipenses terem se mobilizado mais uma vez para suprirem a necessidade do apóstolo em um momento de privações assim como o tinham feito quando na sua viagem à Tessalônica.

 A alegria de Paulo se deve primeiramente ao fato de que os Filipenses, através da vida de Paulo, podiam exercer a generosidade como característica de filhos de Deus e desta forma, apresentar a Deus um sacrifício de “aroma suave” (como nas ofertas do Antigo testamento). O significado da palavra “reviver” usada no texto está relacionado com uma planta que brota novamente e nos remete a uma manifestação de amor que se releva mais uma vez, através de uma demonstração de generosidade materializada em bens, da mesma forma que uma nova planta surge da terra e se revela ao exterior.

Entretanto, Paulo revela que a sua alegria não está condicionada apenas a satisfação de sua própria necessidade. Paulo utiliza a expressão grega autarkes, traduzida aqui como contentar-me. Esta expressão muito utilizada pelos estoicos da época de Paulo (que entre outras coisas, ensinavam a necessidade de dominar as emoções nas diversas situações) está relacionada a capacidade de se manter independente das circunstâncias externas e de não ser afetado emocionalmente por elas. Na visão do estoicismo (fundado por Zenão de Cítio, 300 a.C.) o homem deve disciplinar-se afim de se adaptar as variáveis da natureza.

A grande diferença entre Paulo e os estoicos é que Paulo não acredita possuir suficiência em si mesmo; o que ele enfatiza é que a experiência de vida no evangelho lhe ensinou que em todas as circunstâncias, tanto nas favoráveis como nas desafiadoras, Deus sempre lhe proporciona o suficiente para sua sobrevivência tanto física quanto mental. Ele aprendeu que não são as circunstâncias que determinam a sua relação com Deus, mas a fé de que Deus nunca o abandonará.

Vivemos em uma época onde o grau de felicidade de uma pessoa é medido pelo que ela possui. Ser bem sucedido materialmente é ser feliz. Somos identificados e classificados de acordo com o que vestimos, comemos, com os lugares que frequentamos e com as pessoas com as quais nos relacionamos. Hoje tudo é relativo a fatores externos. Paulo está nos afirmando que a sua alegria não depende de pessoas, fatos ou circunstâncias externas. Sua satisfação interior vem da consciência de que a sua relação com Cristo determina quem ele é e que, embora o apóstolo não ignore a necessidade de se relacionar com o mundo natural e com as pessoas, ele possui um fonte interior de satisfação e de contentamento. O exemplo de Cristo nos liberta do engano do ter para ser e nos leva à consciência de quem nós somos em Deus. Passamos a entender que somos o resultado da Graça de Deus em nossa vida e é isto o que nos faz passar por todas as circunstâncias com contentamento e rejeitando a inquietação.

A atitude dos Filipenses em ofertar para a obra de Deus, aqui representada em Paulo, o missionário, está alinhada com o testemunho do próprio Paulo sobre a generosidade da Igreja da Macedônia (II aos Coríntios 8). Essa generosidade brota da pobreza e supera a própria necessidade para abençoar a outro.

A verdadeira prosperidade não está condicionada à circunstância. Ela está relacionada com a capacidade de contentamento e gratidão. Quando no pouco, ela se revela na fé de que o Senhor providenciará o necessário. Na fartura, ela se revela na consciência de que não é necessariamente a abundância que confirma a aprovação de Deus e que o excedente não deve ser usado para ostentação e sim para abençoar vidas que estão na escassez. Em qualquer circunstância, a generosidade supera a necessidade e isto se manifesta como oferta agradável a Deus, Aquele que não precisa de nada, nem de ninguém, mas que se coloca no lugar do necessitado ao qual temos a oportunidade de manifestar nossa generosidade e assim oferecer como que ao próprio Deus.

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Jesus iria a uma “campanha de vitória”?

Por Luiz Fernando dos Santos

“Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pedro 2.21)

A vida cristã não se resume em seus postulados, em suas doutrinas, em sua ética ou em sua liturgia. Essas coisas são importantes, são partes inerentes do todo da vida cristã. Contudo, nesses dias em preparação para a Páscoa nada é mais importante do que nos voltarmos todos para os essenciais de nossa fé.

Ser cristão é seguir e imitar o exemplo de Jesus. O discípulo fala o que ouve do seu mestre, imita as suas ações, redefine-se a partir daquilo mesmo que encontra no caráter na personalidade do mestre. Não se trata de aprender belas lições de vida, de haurir uma sabedoria arcana, saber interpretar a própria sorte à luz de conhecimentos psicológicos e etc., ainda que em algum momento isso possa acontecer e até servir para alguma coisa, não é disso que trata o discipulado.

Todos os cristãos são convocados para a cruz. Todos, sem exceções, somos convocados a abraçar a cruz do seguimento de Cristo, numa vida de negação ao nosso ego inchado e doentio, no exercício cotidiano da paciência e da humildade, saindo de nosso “ensimesmamento” e abrindo-nos aos outros em amor e serviço.

Por que as campanhas são sempre de vitória e não de abnegação?

Os cristãos parecem estar esquecendo essas verdades fundamentais. Por que você não encontra igrejas – em especial essas midiáticas, com grandes impérios de comunicação social ou com presença quase onipresente na TV brasileira e mundial –, fazendo uma campanha com o slogan: “40 dias assumindo a sua cruz com alegria e mansidão”, ou então: “Semana poderosa de abnegação de si mesmo e desapego em favor do pobre”, ou quem sabe “Grande reunião de oração por humildade e amor sacrificial”? As campanhas dizem respeito às chamadas vitórias que nada mais são do que a negação da cruz, a busca desenfreada de satisfazer o ego cobiçoso, o desejo doentio de buscar segurança nos bens, nas posses e a tentação de se manipular Deus pondo-o a prova.

Jesus Cristo no episódio do evangelho de Mateus, capítulo quatro, foi convidado por Satanás a realizar e frequentar campanhas parecidas com essas que vemos todos os dias por aí. Foi convidado a sacudir o jugo da obediência ao Pai que pelo Espírito Santo o havia conduzido para o deserto. Foi instado a abandonar essa cruz da confiança, dependência, submissão e satisfação nos planos do Pai e sacrificar no altar do imediatismo e do pragmatismo a sua relação de filho amado. O diabo também convidou Jesus para a campanha de “reivindique seus direitos de filho e coloque o Pai à prova, coloque Deus numa situação e limite, e você verá que Ele não pode trair, vai ter que cumprir a sua palavra”. Jesus respondeu dizendo que não tentaria a Deus. Não faria chantagem, não negociaria as condições da obediência, não seria leviano a ponto de supervalorizar a sua vida e condição em face da vontade de Deus. Recusou-se a querer tornar Deus refém emocional de suas carências e não pulou do pináculo.

Como Jesus resistiu a uma “campanha de prosperidade”

E por ultimo, não satisfeito ainda, o diabo propõe nova campanha, dessa vez, uma campanha explícita de prosperidade. Mentindo, oferece o que não pode dar e que nem mesmo o Senhor havia oferecido, promete a glória desse mundo, poder, riqueza, dominação, status, reconhecimento, fama. Jesus não cede. Jesus não se curva aos ídolos desse mundo – a trindade dinheiro, prazer, poder – e não se curva diante daquele que está por traz deles para mentir, matar, roubar e destruir sempre apelando para a cobiça tácita do coração humano.

Jesus saiu vitorioso dessas tentações. Jesus suportou a cruz daquele teste a que foi submetido pelo Pai. Estrategicamente o diabo se retirou e mais tarde, voltaria a novas cargas para que Jesus recusasse a cruz, agora aquela de madeira, tenebrosa, horripilante da maldição de Deus. Foi tentado a descer da cruz. Foi zombado como médico que a outros pode curar e a si mesmo não pode salvar. Jesus permaneceu na cruz que carregou durante toda a sua vida. Negou-se. Não negou, porém o amor. Sacrificou-se para dar vida. Feriu-se para curar. Em tudo confiou no seu Pai e não cedeu à tentação do mal. O caminho do discipulado e a preparação para a Páscoa se encontram justamente aqui, no carregar a cruz todos os dias e no seguir a Jesus.

• Luiz Fernando dos Santos é Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira.

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“Em tudo dai graças”, como assim?

Por William Lane

Por que agradecer por algo ainda não recebido?
O crente está desempregado. Pede oração para o pastor, participa das reuniões de oração ou campanhas da igreja. Deus atende à oração e o irmão ou irmã recebe a oferta de um novo emprego. Em seguida, dá seu testemunho de como Deus respondeu sua oração. Depois disso quase não se vê mais o irmão nas atividades da igreja e muito menos na reunião de oração. O que aconteceu? A oração nesse caso foi o meio para se alcançar um objetivo pessoal. Uma vez alcançado, a oração se torna secundária ou supérflua. Vista desse modo, a ação de graças é outra maneira de dizer a Deus ‘muito obrigado!’.

Muito do que se diz e escreve ultimamente a respeito da oração está relacionado a ter fé, poder, perseverança, obter respostas e etc. Pouco se fala a respeito da adoração, da gratidão ou ação de graças, do lamento, da confissão e da entrega ou renúncia. Mesmo quando se fala de ação de graças, ela é entendida como gratidão por uma bênção recebida, por uma vitória ou conquista. Isto é, ação de graças é vista como posterior a um fato ou resposta de Deus. Enquanto não obtemos essa resposta, não temos o porquê agradecer.

Ação de graças é mais que um simples “muito obrigado”
Em seu livro Oração: o refúgio da alma, Richard Foster, que tem escrito muito sobre oração, meditação e formação espiritual, descreve vários tipos de oração. A primeira vista, não encontramos um capítulo específico sobre a oração de ação de graças ou de gratidão. Isso porque ele a trata no capítulo sobre adoração. Ele diz que embora seja comum distinguir a ação de graças do louvor – o primeiro diz respeito ao que Deus faz e o segundo ao que ele é – na verdade, a ação de graças e o louvor são dois lados da adoração. E a adoração é um anseio espontâneo do coração por adorar, magnificar e bendizer a Deus.

Compreendida nesses termos, a ação de graças não é um simples ‘muito obrigado’. Não se resume a reconhecer que Deus atendeu a um pedido e súplica. Ação de graças é muito mais do que isso. Paulo fala aos Tessalonicenses que regozijem sempre, orem sem cessar e em tudo deem graças (1Ts 5.16-18). A expressão “em tudo” é frequentemente traduzida “em todas as circunstâncias”. O sentido é esse mesmo. Paulo exorta os cristãos a darem graças em todas as situações. Mais do que uma forma de oração ou um testemunho por uma oração respondida, a ação de graças é um modo de oração incessante, isto é, uma atitude de vida, uma disposição de constante gratidão e exaltação diante das diversas circunstâncias da vida.

Como dar graças quando tudo vai mal?
Mas como dar graças quando tudo vai mal? Não seria uma forma de negação, de apatia e de ilusão agradecer a Deus em meio ao sofrimento e a dor? É verdade que a Bíblia, particularmente os Salmos, nos ensina também a oração de súplica ou lamento, oração em que o indivíduo abre seu coração e derrama diante de Deus sua dor e sua queixa. Mas como diz Foster a adoração é o ar que toda oração respira, o oceano em que toda oração nada. Todas essas formas ou modos de oração não deixam de exprimir a adoração a Deus.

Por isso, ação de graças tem muito mais a ver com uma disposição, uma atitude. Desse modo, ela não é apenas posterior ao fato concretizado, à resposta atendida. A ação de graças é uma disposição de submissão e adoração a Deus. Em meio ao sofrimento, a ação de graças nos coloca em atitude de devoção abnegada e nos conduz a Deus. Ela nos faz desviar nossos pensamentos de nós mesmos e nossos problemas para Deus, aquele que nos sustenta e nos fortalece.

Além disso, a ação de graças é uma forma de o indivíduo se submeter a Deus. Bunyan diz que o objetivo da oração é nos rendermos à vontade de Deus. Por isso, com a ação de graças reconhecemos a direção e o cuidado de Deus em nossa vida.

Dar graça em tudo implica, então, em reconhecer que nossa vida está nas mãos do Deus Pai, que vivemos sob o senhorio de Cristo e somos sustentados pelo Espírito Santo. Mesmo em meio a lutas podemos dar graças, não como meio de negar o sofrimento e a dor, mas como submissão a Deus e como meio de alcançarmos seu gracioso consolo e força, apesar das aflições.

William Lacy Lane (billy)
Pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento e diretor acadêmico da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina (PR).
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Quanto à conversão: o que Deus faz e o que o homem faz?

O que é conversão?

 

Conversão é um giro de 180 graus na vida de uma pessoa. É virar completamente as costas para o pecado e voltar-se em direção a Cristo para a salvação. Da adoração aos ídolos para a adoração a Deus. Da auto justificação para a justificação de Cristo. Do autogoverno para o governo de Deus.

 

Conversão é o que acontece quando Deus desperta aqueles que estão mortos espiritualmente e os capacita a se arrependerem de seus pecados e terem fé em Cristo.

 

  • Quando Jesus nos chama a nos arrependermos e crermos, ele está nos chamando para a conversão. É uma mudança radical naquilo que nós cremos e fazemos. (Marcos 1.15)

 

  • Quando Jesus nos chama para tomarmos nossa cruz e para o seguirmos, ele está nos chamando para a conversão. (Lucas 9.23)

 

  • Para que venhamos a nos arrepender, Deus tem que nos dar nova vida, novos corações e fé (Efésios 2.1, Romanos 6.17, Colossenses 2.13, Ezequiel 36.26, Efésios 2.8, 2 Timóteo 2.25).

 

Conversão não é

 

  1. Um evento único que não tem implicação alguma na forma como vivemos. A conversão ocorre, sim, em um momento único, e é um momento de mudança radical. A vida deve parecer diferente a partir de então. Uma nova batalha começa.

 

  1. Uma jornada sem destino algum. A conversão pode ser precedida por um longo processo no caso de alguns, mas ela sempre envolve uma decisão compromissada de se arrepender do pecado e confiar em Cristo, o que é o resultado imediato de Deus dar uma nova vida para um pecador que estava espiritualmente morto.

 

  1. Opcional. Atos 17.30 diz que Deus ordena que todos, em toda parte, se arrependam. A conversão nunca pode ser forçada, mas ela é absolutamente necessária para que alguém seja salvo.

 

  1. Uma conversa. Embora os cristãos devam comunicar o evangelho de forma humilde, nossa meta não é meramente uma troca agradável de informação. Nós temos que chamar todos a se arrependerem de seus pecados e confiarem em Cristo para a salvação.

 

  1. Dizer uma oração pré-formulada. A conversão certamente envolve oração, mas temos que ser cuidadosos para não tentarmos as pessoas a colocarem sua confiança em um conjunto especial de palavras.

 

O que Deus faz na conversão?

 

Conversão não significa que “Deus ajuda aqueles que se ajudam”. A mudança de que precisamos é tão radical que somente Deus pode fazê-la. Na conversão, Deus dá vida aos mortos e vista aos cegos. Na conversão, Deus dá os dons do arrependimento e da fé.

 

  1. Deus resplandece a luz! 2 Coríntios 4.6 diz que, assim como Deus resplandeceu a luz nas trevas da criação, assim ele “resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”.  Como você chegou a entender o evangelho e crer nele? Deus resplandeceu luz no seu coração, criando entendimento espiritual onde não havia nada.

 

  1. Deus nos vivifica! Efésios 2.5 diz que, mesmo quando estávamos “mortos em nossos delitos”, Deus “nos deu vida juntamente com Cristo”. Nós não estávamos doentes, dormindo ou morrendo. Nós estávamos mortos, e Deus nos vivificou. Em João 3, Jesus descreve isso como um nascer de novo pelo Espírito Santo. Na conversão, Deus nos dá o novo nascimento, capacitando-nos a nos arrependermos e crermos no evangelho.

 

  1. Deus nos liberta! Colossenses 1.13 diz que ele nos liberta do império das trevas e nos transporta para o reino do Filho do seu amor. A conversão é como um resgate militar em que Deus nos liberta de nosso aprisionamento ao pecado e nos coloca em seu reino glorioso.

 

  1. Deus concede arrependimento e fé! De uma perspectiva humana, a conversão consiste em nos arrependermos de nossos pecados e crermos em Cristo. Ainda assim, a Escritura ensina que tanto o arrependimento como a fé vêm a nós como dons de Deus (veja Filipenses 1.29, Atos 11.18).

 

A conversão é, fundamentalmente, um ato divino que Deus faz em nós e para nós. Em resposta à sua obra soberana e unilateral, nós nos arrependemos e cremos.

 

O que as pessoas são responsáveis por fazer na conversão?

 

As pessoas são responsáveis por fazer duas coisas: arrependerem-se e crerem. A conversão é um radical virar das costas para o pecado e um voltar-se para Deus através da fé em Cristo. Jesus resumiu o que os homens devem fazer na conversão quando ele ordenou aos seus ouvintes: “arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15).

 

O que significa se arrepender?

 

  1. Arrependimento significa reconhecer que você é um pecador (Atos 3.19).
  2. Arrependimento significa renunciar ao pecado e decidir obedecer a Cristo (Lucas 9.23; Romanos 2.4).
  3. Arrependimento significa lamentar pelo pecado e regozijar-se por aceitar Jesus como seu novo Mestre e Senhor (2 Coríntios 7.10; Romanos 6.12-23).
  4. Arrependimento não é o fim da batalha, mas o início de uma (Gálatas 5.16-17).

 

Em que temos que crer? Temos que crer no evangelho!

 

  1. Crer que Deus é o santo criador do universo, o Senhor de tudo (Isaías 6.1-5; Gênesis 1.1; 1 Timóteo 6.15-16).
  2. Crer que você é um pecador e que merece a justa ira de Deus (Romanos 1.18; Romanos 3.23).
  3. Crer que Jesus Cristo morreu na cruz para pagar a penalidade pelo seu pecado e ressurgiu da sepultura para vencer a morte e oferecer a você a vida eterna (Romanos 3.21-26; Gálatas 2.20; Atos 2.24; João 11.25).

 

Arrependimento e fé são dois lados da mesma moeda. Na conversão, nós viramos as costas para o pecado e confiamos em Cristo.

 

De: Brad Wheeler’s

Tradução: Felipe Prestes

Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Irmão Geraldo

Sacrifícios

“Mas o rei disse a Araúna: Não! antes to comprarei pelo seu valor, porque não oferecerei ao meu Deus holocaustos que não me custem nada. Comprou, pois, Davi a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.”
(2 Samuel, 24)
   Neste texto Davi nos mostra o que aprendeu com a sua experiência com Deus: Ele quer manifestar a consciência de que todas as coisas vem do Senhor. Davi quer oferecer algo a Senhor que exija esforço e desprendimento. Isso demonstra o seu amor comprometido para com Deus.
Araúna era um estrangeiro naquela terra. Ele não só havia permanecido mesmo após Davi ter conquistado Jerusalém, como havia prosperado. É provável que tenha reconhecido o Senhor como único Deus e tem adotado a esta fé como seu estilo de vida. Ele percebe a importância do sacrifício e quer contribuir com tudo o que for necessário para isto, por isso, oferece a Davi a Eira (lugar onde se beneficiava o trigo, ou outra cultura), os bois e a lenha para o sacrifício. Mas Davi sabe que a responsabilidade de sua missão é pessoal, sabe que está ali para demonstrar arrependimento pelo seu pecado e não cede a tentação de seguir o caminho fácil: ele não quer usar o seu prestígio para que outra pessoa se sacrifique para que ele realize a obra que precisa fazer. Davi não quer facilidades, ele deseja fazer o melhor, daquilo que veio à suas mãos por ordem de Deus. Davi quer testemunhar da sua confiança no Deus que em todas as coisas o abençoou.
   Façamos o melhor para Deus, mostrando a Ele e a nós mesmos que não somos reféns dos bens materiais e que não há nada mais importante para nós do que servimos a Ele e ao próximo, inclusive com nossos bens. Que possamos considerar a atitude de Cristo que é Rei e veio para servir. Que o nosso sucesso e nossas conquistas não tenham mais valor do que a nossa missão.
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Lealdade ou covardia ?

“Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos.” Provérbios 27:05 e 06

Costumamos desenvolver um sentimento de proteção para com pessoas ou mesmo ideias as quais nos afeiçoamos. Este é um sentimento natural, nascido a partir da empatia e da identificação que sentimos com alguém que possui qualidades admiradas por nós ou ainda que nos inspiram ou ensinam. A nossa tendência é proteger essas pessoas ou ideias de qualquer ataque que possa danificar imagem que guardamos no coração a respeito delas.

Defender uma pessoa por quem sentimos afeição é um instinto natural, notadamente verificado nas mães, ainda que o filho não lhe dê motivos para inspirá-las ou que este instinto muitas vezes prejudique a formação moral do filho. Muitas pessoas ao defenderem uma ideologia, partido ou sistema religioso fazem exatamente isto: não são capazes de se colocar em outro ponto de vista de onde podem observar falhas, desvios e necessidades de correção justamente por sentirem-se “mães” do objeto da sua afeição.

Basta observarmos a defesa cega de partidos, ideologias ou doutrinas para notarmos o quanto é doloroso abrir mão do sonho construído em torno do objeto de afeição. É preferível negar a realidade, encontrar as mais ilógicas explicações e até, em muitos casos, utilizar-se da mentira e do auto engano para que a linda imagem construída não seja sequer arranhada.

Graças a Deus porque seu amor para conosco é isento de superproteção. Graças a Deus que o seu amor por muitas vezes dói e às vezes dói muito, basta olharmos para a História de Israel. A afeição de Deus é totalmente desvinculada de qualquer interesse pois Ele não precisa de ideais, referências, nem da construção de sonhos em torno de nada ou ninguém, pois é plenamente suficiente em si mesmo. Ele ama por escolha e o seu amor se manifesta muitas vezes quando toca na ferida ainda aberta, quando utiliza a tristeza como ferramenta necessária ao arrependimento (II Coríntios 7:10) ou quando nos confronta para nos trazer de volta a realidade. A sua negativa é prova do seu cuidado.

A pergunta que precisamos fazer é: estou disposto a amar na perspectiva de Deus ? Estou disposto a confrontar o meu amado ou amada afim de abrir os seus olhos a respeito das atitudes que ele toma muitas vezes até sem ter consciência delas ? Tenho coragem suficiente para criticar os grupos as quais pertenço, ideias ou movimentos pelos quais levanto bandeiras ? Uma pessoa que não recebe críticas e nunca é repreendida, na verdade vive isolada da realidade (Provérbios 18:1). Amar implica em ter a coragem de repreender, exatamente como Jesus ensinou (Mateus 18:15). A repreensão nestes moldes é na verdade um ato de amor. Mesmo os fariseus, duramente censurados por Ele, foram objetos do seu amor. Não confrontar as pessoas por quem temos afeição não é lealdade, na verdade, é covardia, pois por mais que isso possa nos afastar delas ou nos trazer constrangimento, no tempo certo, de uma forma ou de outra, elas reconhecerão que quem teve a coragem de machucá-las em nome da verdade, foi quem realmente as amou.

Pense nisso…
Pb. Geraldo Jordão de Andrade Jr.