Entre a obra de Deus e a vida cotidiana

“Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-bom_samaritanolhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.”

Lucas 10:33-34

Esta passagem é parte da famosa parábola do bom samaritano, onde Jesus ensina através de seus personagens o que significa realmente o “próximo”, aquele que é citado na lei como um dos alvos do mandamento de Deus relativo ao amor. O interessante é notar o contraste entre aqueles que “trabalhavam na obra”, como o sacerdote e o levita e aquele que “teoricamente” não tinha nada a ver com ela, ou seja, um viajante samaritano, provavelmente um comerciante. Mas, qual era a obra de Deus nesta parábola ? Era socorrer, motivado pela compaixão, um total desconhecido, alguém com quem não se tinha nehum vínculo, seja ele social ou religioso. O sacerdote e o levita, ignoram o homem caído a beira da estrada, enquanto o improvável samaritano, enche seu coração de compaixão por ele e interrompe sua viagem para atendê-lo.

Como em outras passagens, Jesus utiliza uma ilustração onde personagens antagônicos estão interagindo: a idéia é mostrar o amor verdadeiro e espontâneo como algo livre e independente das condicionantes humanas. O texto diz que o samaritano utiliza os próprios produtos que levava para cuidar dos  ferimentos do homem, coloca-o em sua própria montaria para levá-lo a hospedaria, paga as despesas de sua hospedagem e se compromete em voltar e restituir as despesas extras com a recuperação do desconhecido.

Algumas pessoas rotulam de ativismo o fato de se investir tempo, dinheiro, recursos materiais e talento na obra de Deus, através do  Evangelho. Isto não é ativismo, isto é comprometimento com o Reino de Deus. Ativismo é deixar de cumprir suas obrigações enquanto  cidadão, profissional ou membro de uma família em nome da obra. Esta parábola mostra um homem que prossegue em sua viagem de negócios, ou seja, o seu compromisso profissional, mas que investe parte do seu tempo e de seus recursos na ção de socorrer um necessitado.

É possível sim, encontrar um ponto de equilíbrio que permite ser comprometido com o Reino e ao mesmo tempo presente nas demais  áreas de nossa vida. Precisamos apenas de sabedoria, para utilizar bem o tempo que nos é possível administrar: o nosso “cronos”,  aquele que está dentro de nossa limitada percepção, pois o kairós (o tempo de Deus) ele administra. A questão é que perdemos muito do nosso tempo com coisas que não edificam ou que retiram o nosso  foco daquilo que realmente importa. É preciso direcionar nossa atenção e a nossa energia naquilo que nos faz úteis tanto na nossa vida cotidiana como na obra proposta pelo Evangelho. Esta é a reflexão que o apostolo Paulo faz em Filipenses, capítulo 4 verso 8 “ Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”