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Sete Temores Mortais: Morte e Doença

 

Por: Robert Rothwell  – Pensamento CristãoRosa e neve no desktop

“Eu vejo uma mancha que precisamos investigar”. Câncer. Não era o diagnóstico que eu esperava receber enquanto um jovem prestes a começar uma família. Imediatamente, minha mente se encheu de perguntas: Como irei contar à minha esposa? Como ela ficará se eu morrer? Quanto custará o tratamento? Eu estou pronto para morrer?

Nos dias que se seguiram, não havia palavras. Ajudou-me o fato do câncer diagnosticado ter uma taxa de cura de 95 por cento, mas eu estaria mentindo se dissesse que isso eliminou minhas preocupações. Uma taxa de cura de 95 por cento não é uma taxa de cura de 100 por cento. Será que eu estaria entre os poucos “azarados”? Como seria possível manter o semblante franco e dizer à minha esposa que “tudo vai ficar bem”, quando eu não tinha nenhum controle sobre isso? Às vezes, as coisas não ficam “tudo bem” – pelo menos no curto prazo.

Pessoas morrem todos os dias. Bebês, adolescentes, jovens mães, pais de meia idade, os mais velhos – a morte não respeita as pessoas. Não é exatamente verdade que as únicas certezas da vida são a morte e os impostos. Você pode fugir dos impostos. Se estiver disposto a passar um tempo na cadeia, você não precisa pagar ao coletor de impostos. A morte, por outro lado, é certa. À exceção daqueles que estiverem vivos quando o Salvador retornar para consumar o seu reino, ninguém sai desse mundo vivo.

Por que tememos tanto a morte? Para os não cristãos, a resposta é fácil. Não importa o quanto eles suprimam a verdade pela injustiça, seja pelo ateísmo, o agnosticismo ou a falsa religião, eles não podem escapar da consciência dada por Deus de que eles quebraram a lei divina e merecem o inferno.

Os cristãos também temem a morte e a doença. Certamente, nós sabemos que não deveríamos fazê-lo e nunca dizemos a ninguém que nutrimos tais temores. Obviamente, nós sabemos todas as coisas certas a dizer acerca da morte. Deus é soberano. Ele tem um bom propósito na minha dor. O Senhor pode ensinar e santificar a minha família, os meus amigos e a mim mesmo pelo processo do sofrimento e da morte. Com frequência, porém, dizemos essas coisas porque “temos que dizer”, e não por estarmos plenamente convencidos. Eu fui culpado disso. De fato, todos nós somos culpados disso.

Os cristãos não temem a morte e a doença pelas mesmas razões dos não cristãos, porque sabemos que Cristo tem um lar para nós nos céus (João 14.1-3). Em vez disso, nós tememos perder o controle. Fazemos seguros contra a perda de nossos bens. Organizamos nossa rotina para sermos mais produtivos. Em geral, nós desfrutamos de relacionamentos felizes e realizadores ao ouvirmos os outros e nos doarmos. Mas, a despeito de nossos melhores esforços, não podemos fugir da morte e da doença.

Nós também tememos o sofrimento. Ninguém deseja uma doença terminal. Ninguém deseja dor crônica. Ninguém deseja perder suas faculdades mentais.

De muitas maneiras, é correto temer a morte e o sofrimento. Uma vez que Deus fez o universo “muito bom” (Gênesis 1.1–2.4), a morte e a doença são intrusas. Elas estão aqui por causa do pecado, e terão desaparecido nos novos céus e na nova terra. Até lá, contudo, nós precisamos viver com o nosso temor da morte e da doença. Como podemos glorificar a Deus desse modo?

Eu não tenho todas as respostas, mas espero oferecer alguma ajuda. Primeiro, devemos saber por que tememos a morte e a doença. Se você teme a morte porque não está reconciliado com Deus, então você deve se reconciliar hoje pondo sua confiança em Cristo somente. Ao confiar nele, você se apresentará ao Juiz de todos revestido da perfeita justiça de Cristo e ele o receberá em seu reino. Ele prometeu dar vida eterna a todos os que creem em Jesus.

Segundo, admita os seus temores para Deus e para os outros. Eu não compreendo todas as razões pelas quais o Senhor nos permite sofrer. Eu sei que ele usa a nossa dor para nos conformar a Cristo. Confessar os nossos temores dá às pessoas a oportunidade de orar por nós e nos encorajar a mantermos os olhos em Jesus, não na nossa doença. Permite-nos levar os fardos uns dos outros e cumprir a lei de Cristo (Gálatas 6.2).

Terceiro, ajude a fazer da sua igreja um lugar onde as pessoas possam admitir os seus temores honestamente. Fale com seus líderes sobre o que você pode fazer para criar uma cultura de igreja na qual as pessoas possam encontrar ajuda se elas ou alguém que elas amem esteja encarando a sombra da morte e da doença. Envolva-se em grupos de apoio a pessoas enlutadas, convide famílias em sofrimento para uma refeição – não há limites para o que pode ser feito.

Quarto, confie na soberania de Deus. A morte e a doença não o surpreendem. Ele escreveu todos os nossos dias (Salmo 139.16), então ele está sempre cumprindo os seus bons propósitos por nós.

Por fim, medite nas promessas de Deus até que elas se tornem parte da sua própria alma. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Salmo 23.4). “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8.18). “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17). Essas palavras de vida nos confortam nos dias escuros.

Quatro anos e dois filhos depois, eu estou livre do câncer. Mas a morte ainda jaz adiante de mim e de todos nós. Que enfrentemos o temor da morte com a coragem que é própria a nós, filhos de Deus.

Tradução: Vinícius Silva Pimentel
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

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A segunda chance

“E Eliseu lhe disse: Toma um arco e flechas. E ele tomou um arco e flechas. Então Eliseu disse ao rei de Israel: Põe a mão sobre 5129221_origo arco. E ele o fez. Eliseu pôs as suas mãos sobre as do rei, e disse: Abre a janela para o oriente. E ele a abriu. Então disse Eliseu: Atira. E ele atirou. Prosseguiu Eliseu: A flecha do livramento do Senhor é a flecha do livramento contra os sírios”
II Reis Cap. 13: 15-17 b
O trecho acima é parte da narrativa bíblica do encontro entre dois homens (o rei Jeoás e Eliseu, o profeta) que ocupavam importantes posições em Israel, mas com trajetórias de vida completamente opostas. Eliseu foi escolhido por Deus e chamado para o ministério profético através de Elias; na mesma época em que Jeú, avô de Jeoás, foi ungido rei, por escolha divina. Jeoás trilhou o caminho de seu pai, Jeoacaz, o qual não serviu a Deus com inteireza de coração, desviando-se das orientações de Deus e guiando a nação para longe dos propósitos de Dele. Eliseu, dedicou sua vida  a ensinar ao povo os preceitos do Senhor. Através de suas mãos, foram realizados milagres espantosos e de sua boca foram anunciadas profecias importantes que impactaram o destino da nação e a sua sobrevivência.  A cena agora mostra o encontro de um rei corrompido, que vê o seu exército prestes a ser dizimado pelos Sírios, com uma força de guerra superior e o homem de Deus que está acometido de uma doença terminal.
Existem pelo menos três coisas que eu aprendo com esta narrativa. A primeira, é que apesar de toda a sua culpa e de seu coração corrompido, O rei desce do seu palácio e vai até a casa do profeta. Ele reconhece a distância moral entre os dois mas precisa ver o homem de Deus neste momento de crise. Ao ver o estado terminal de Eliseu, ele usa  a mesma expressão de perplexidade que o próprio Eliseu proferiu ao ver Elias, seu mestre, ser arrebatado: “Carro de Israel e seus cavaleiros !” Com esta expressão, ainda que movido pela crise, o rei reconhece que a coisa mais importante para a defesa nacional é ter a orientação Divina aqui personificada por Eliseu como guardião da lei e emissário de Deus. O rei Jeoás chama o profeta de pai em sinal de respeito e expressa a sua preocupação com a nação ao ver que o profeta está prestes a deixá-los num dos piores momentos pelos quais a nação passou. Ao responder ao rei com uma proposta de ação, o profeta personifica uma resposta misericordiosa da parte do Senhor; ele é o canal de Deus para salvar o rei e toda uma nação a despeito do mesmo ter abandonado a aliança com o Senhor.  Este ato profético de tomar o arco, simboliza o incentivo de Deus para enfrentar a dura realidade. Deus estava dando uma nova chance ao rei e ao povo. A segunda coisa que me chama a atenção é a serenidade do homem de Deus. Deus havia curado o General Naamã da terrível doença da lepra (em uma época na qual, ter lepra, era uma sentença de morte) através do ministério de Eliseu e esta foi uma das coisas sobrenaturais pois o dobro de milagres aconteceram em relação ao ministério de seu antecessor, Elias. Parece contraditório que um homem com uma vida inteira de experiências espetaculares com Deus, tenha o seu fim decretado por uma terrível enfermidade. Certamente Eliseu entendia que todas as coisas maravilhosas que aconteceram em seu ministério foram realizadas pelo poder de Deus e pelo seu propósito. Ele entendia que, mesmo sendo o canal de Deus para o povo israelita ele continuava sendo um frágil ser humano. Eliseu não se lamenta, não questiona a Deus, ele simplesmente aceita com resignação o seu fim. Sabe que o Deus das maravilhas continuará operando e aconteça o que acontecer, ele continua sendo seu filho, seu escolhido. Esta realidade, de um Deus que manifesta seus atos através dos que o adoram é tão marcante, que mesmo agora, em seus últimos momentos, ainda há tempo para realizar um último ato profético em favor de toda a nação, Eliseu não se preocupa consigo, ele quer abençoar o povo com livramento ainda que uma última vez.
A terceira coisa que aprendo com este texto, é que quando Deus nos dá uma segunda chance, precisamos nos apoderar dela com convicção. O rei cumpre o ato profético com a ajuda do profeta, mas ele não é perseverante: quando precisa prosseguir por conta própria ele atira de forma tímida para o alvo que está plenamente ao seu alcance.  Ele feriu a terra três vezes (verso 18) e parou. Ao recebermos uma direção de Deus precisamos ser insistentes, determinados. Muitas vezes, grandes transformações começam a acontecer em nosso interior mas, por nossa falta de perseverança, não avançamos em nossa fé, ficamos mirrados e defasados espiritualmente. A questão no contexto de Jeoás era de sobrevivência do povo, era uma situação de crise e nenhuma oportunidade poderia ser negligenciada.
Precisamos entender que o Senhor é um Deus de recomeços. Ele providencia oportunidades de transformação, renovação e restauração todos os dias. As suas misericórdias se renovam a cada manhã. O problema é que nós desanimamos muito facilmente e desistimos do processo. Os profissionais da área médica costumam dizer que o maior problema de qualquer tratamento é a interrupção ou a indisciplina daqueles que precisam se submeter ao mesmo. Que eu e você tenhamos perseverança para continuar na direção que Deus está indicando, mesmo quando suas instruções não façam sentido para nossa lógica humana.