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Revitalização de Igreja: Uma Abordagem Bíblica

Por: Brian Croftchurch-157216_960_720

Os números são assustadores. Especialistas estimam que aproximadamente 1000 igrejas locais fechem suas portas todos os anos. O que é ainda mais devastador sobre essa estatística é que este número reflete somente as igrejas da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos – minha denominação. Imaginem como esse número cresce se somarmos o número de igrejas locais de outras denominações estabelecidas que também estão fechando, o que alguns estimam ser entre 3500 a 4000 igrejas por ano só nos Estados Unidos. Não é necessário dizer que temos uma epidemia em nossas mãos. Embora Deus continue, por um lado, edificando sua igreja através da plantação de igrejas, estas igrejas não têm sido plantadas e permanecido na mesma proporção daquelas que têm fechado suas portas permanentemente a cada ano.

É bom e correto se sentir sobrecarregado com o peso da realidade da extinção de igrejas locais que antes eram como faróis do evangelho em suas comunidades. Pastores estão desistindo. Prédios belos e históricos de igrejas estão sendo leiloados para quem pagar mais. Sem dúvida, o peso que muitos que amam a noiva de Cristo têm sentido é um peso que nós também precisamos sentir. O peso deste fardo tem resultado em um movimento sem precedentes para fazer algo a respeito dessas igrejas que estão morrendo. Surgindo em várias denominações, tal movimento tem sido rotulado de “Revitalização de igreja” e/ou “Replantação de igreja”.

Tendo, em meu próprio ministério pastoral, engajado-me no trabalho de revitalização antes do início desse movimento e tendo observado o movimento durante todo esse tempo, eu tenho percebido comummente duas abordagens que não ajudam muito sendo seguidas: o Pragmatismo e o Purismo.

O Pragmatismo

Os adeptos do pragmatismo buscam reviver e fazer crescer a igreja que está morrendo através de artifícios espertos e programas atraentes que funcionam para trazer resultados específicos desejados. Esses resultados normalmente estão baseados em números, dirigidos por fortes esforços evangelísticos que se apoiam grandemente nas habilidades e dons de homens. Apesar de reconhecimento verbal da Bíblia e do Espírito de Deus e destes terem espaço na mistura, o desejo por resultados visíveis e numéricos tomam primazia e a guia do trabalho, o poder de revitalização está em último caso na sabedoria de homens. Consequentemente, os resultados e a atratividade se tornam mais importante do que a fidelidade em um propósito específico que Deus possa ter para sua igreja que não produza os mesmos resultados numéricos.

Para os que seguem o pragmatismo, o resultado numérico desejado se torna o fim que justifica abraçar quaisquer meios necessários para atingi-lo.

O Purismo

O purista se aproxima da tarefa de revitalizar uma igreja estritamente aderindo a princípios bíblicos, baseados na centralidade da Palavra de Deus. Isso frequentemente se manifesta em um firme compromisso com formas bíblicas de culto. Enquanto esta abordagem tem muitos aspectos que lhe tornam recomendável, ao mesmo tempo há um perigo sutil escondido nesta abordagem que pode ser uma armadilha, e está nos motivos centrais do pastor que conduz a revitalização. Se não for cuidadoso, as convicções do pastor podem de forma quase imperceptível mudar de uma convicção sobre a centralidade da Palavra de Deus para uma convicção de não ser pragmático. Consequentemente, o purista celebra ser não-atrativo e anti-criativo, e orgulhosamente rejeita qualquer coisa que possa parecer ser entretenimento ou consumista e mundana. O purista se vê como estando firmemente apoiado nas promessas do poder da palavra de Deus para soprar fôlego revitalizador na congregação.

Mas na realidade, o purista está meramente apoiando-se em legalismo rígido, intencionalmente fazendo a igreja ser não atraente para discernir quem de fato está comprometido com Deus, sua Palavra, seu povo e sua igreja.

A abordagem bíblica

Existe uma abordagem equilibrada e bíblica para o trabalho de revitalização que é tanto mais eficiente quanto também mais fiel ao propósito de Deus para a igreja local. Esse método se baseia totalmente na verdade que o Espírito de Deus trabalhando através da sua Palavra é o único meio de trazer verdadeira vida espiritual para a igreja local. E, ao mesmo tempo, valoriza a verdade que é bom e certo que a noiva de Cristo pareça bonita e atraente para o povo de Deus e mesmo intrigante para aqueles que são hostis quanto a Cristo no mundo.

Esta abordagem engloba tanto a profunda convicção de que o poder de Deus por seu Espírito e sua Palavra é que realizam a obra, quanto o fato de que Deus usa criatividade, paixão, dons singulares e o zelo dos líderes e do povo para soprar vida e edificar sua igreja.

Esta abordagem bíblica defende que a igreja local deveria ser atraente, mas por razões bíblicas específicas: pregação bíblica apaixonada, comunhão amorosa e sacrificial, aplicação prática do evangelho, cuidado zeloso das almas, evangelismo intencional e autêntica semelhança com Cristo, para mencionar algumas. O objetivo desse método é ver nova vida e fôlego na igreja local, mas não à custa da busca fiel do propósito de Deus para a igreja local. A saúde da igreja, de acordo com os desígnios Deus na Bíblia, torna-se o alvo final, não os números. O poder de Deus é visto em como ele edifica sua igreja da forma que ele quer edificar sua igreja, ao invés de ser definido por algum padrão mundano de sucesso.

É esta abordagem mais bíblica que eu desejo defender. Isso define a visão de como treinamos homens  no Centro Mathena para Revitalização de Igreja, assim como em nossa própria igreja local. Aqueles que são chamados para essa tarefa iniciam uma obra nobre que glorifica a Deus. Existe um poder singular e especial, um testemunho em não ser só uma igreja local cheia de vida, mas uma antiga igreja histórica que estava perdida, respirando por aparelhos, e que aprouve a Deus soprar vida nela novamente. Que melhor testemunho há de que Deus é Deus que ressuscita os mortos do que ver isso acontecendo com igrejas mortas por todo o mundo? Mas não se engane. Deus é quem deve realizar isso. Somente o poder de Deus é suficiente para realizar isso. Logo, é necessário que seja feito da maneira como Deus planejou que sua igreja fosse edificada, com vida espiritual verdadeira e duradoura trazida de volta a estas igrejas em dificuldades.

Tradução: Fabio Luciano
Revisão: Yago Martins

Brian Croft é o pastor efetivo da Auburndale Baptist Church em Louisville, Kentucky. Ele também é autor de “Visit the Sick: Ministering God´s Grace in times of illness”

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O cristão e a universidade: Um olhar prático sobre o academicismo

Tenho ficado muito feliz com a nova realidade do Ensino Superior em nosso país e, apesar das críticas quanto ao sistema de cotas (assunto polêmico, exigível de tanto debate, que no momento, pretendo evitar), não tenho dúvidas que ao seu modo contribuiu muito para a democratização desse espaço acadêmico. Não apenas, jovens, mas também muitas pessoas de meia idade retornam ou encontram pela primeira vez seu lugar nesse universo do saber, na multiplicação quase cupinizada de faculdades particulares de ensino presencial ou à distância, improvisadas muitas vezes, em estruturas cada vez mais simples (não me refiro às clandestinas, obviamente); mas que proporcionalmente merecem a dignidade da diplomação a exemplo do que acontece também em países de primeiro mundo.

Dessa óptica e, sem controverter outras discussões, como docente, nunca me custou ignorar um mínimo de afrouxamento do rigor ao ingresso de pessoas mais maduras na universidade, ainda mais que tal correção histórica, pode ser aprumada na qualificação do ensino em sala de aula com um professor mais comprometido, e mais capaz de adequar os signos do conhecimento, e evitar o cientificismo exagerado, ou se não; cadencia-lo gradativamente, a fim de fazê-lo merecido por pais e mães de famílias, que às vezes diferentemente dos jovens, já nem buscam mais uma oportunidade profissional, antes têm na formação universitária uma alavanca social e pedagógica para a elevação de sua autoestima, ou mesmo a simples realização de um sonho pessoal; hibernado, normalmente; por desfavorecimento financeiro. Sim, sem dúvida, no saber há uma coluna de fogo e, uma nuvem que pode iluminar e abrigar todas as mentes desejosas de aprender e falar a gratificante linguagem do saber acadêmico.

Mencionadas essas rarefeitas considerações, passo mormente a dedicar uma palavra ao cristão universitário; grupo, ainda majoritariamente formado de jovens e, para os quais; um curso superior é muitas vezes, apenas uma projeção dos desejos dos pais, fato que embora corriqueiro, nem sempre é circunstância capaz de reduzir a oportunidade de crescimento e de ampliação da visão de mundo; uma etapa da vida com significativos desdobramentos financeiros, sociais e de sucesso pessoal em uma carreira, vocacionada ou motivada por conveniência inevitável.

Pessoalmente, penso ser um dos muitos que podem servir de exemplo. Desde os meus dezoito anos passei a ser o que chamavam de “rato de universidade”, cursei três graduações seculares, duas teológicas, além das pós-graduações em diferentes áreas e, como professor universitário sempre vivi esse ambiente acadêmico com fascinação. Mesmo assim, das experiências que aprendi; aquelas que pretendo relacionar; são mais pessoais; que puramente científicas. Atrevo-me pretensiosamente, chamá-las de dicas para o cristão universitário:

Primeira Dica: Você! Não se envergonhe de se apresentar como cristão!

Houve um tempo em que afirmar em uma sala de aula na universidade que era evangélico significava imediato estereótipo de fanatismo. O pior é que o preconceito era mútuo, lembro que na minha época, teve até um pastor que me aconselhou a não entrar na universidade por que podia me perder naquele mundo de ideias ateístas. Do outro lado, as pessoas achavam que ter um “crente” (como era mais usualmente chamados os evangélicos) por perto na sala de aula, era certeza de chateação; e que o “crentinho”, ou “o pastor” iria ficar pregando pra que todos se convertessem a qualquer custo.

Hoje, felizmente, muito dessa imagem mudou. Na verdade, até perdeu alguns filtros religiosos e éticos, virou moda, tribo, “viber”; muito provavelmente, tenha sofrido a influência da americanização midiática e de sua germinação sincrética favorecida pela cultura religiosa brasileira, acrescida fenomenologicamente das muitas conexões da interação globalizada promovida pela tecnologia de “softs” e redes de relacionamentos; ao ponto do termo “gospel” viralizar um novo conceito de mercado explorado por cristãos e não cristãos.

No espaço acadêmico, o antigo sentido de “ser crente” e o atual de “ser evangélico”, obviamente, evoluiu mais lentamente. Mas, mesmo assim, graças a Deus, a imagem do religioso protestante na sala de aula e no círculo acadêmico, e de estudantes assumidamente cristãos foi “desalienigenizado”, acentue-se; em grande parte, pelo crescimento proporcional das muitas vertentes protestantes: igrejas históricas, neopentecostais, e até mesmo os desigrejados (ou sem igrejas) que simpatizam com a fé evangélica, por virem de famílias evangélicas, por que já participaram de uma comunidade religiosa, ou simplesmente por que acompanharam algum tipo de movimento gospel (shows, grupos e etc.).

Do que acima se resume é que, atualmente quem não é evangélico, tem pelo menos um amigo ou um parente em sua família que ajudam a provar que o cristão é uma pessoa normal que professa uma fé saudável e de boas convicções éticas. Desta forma, assumir de imediato que é cristão; acredite, facilitará muito as relações com outros colegas – reforçará decisões e suas negativas diante de algumas propostas. Não precisa “chegar chegando”, você pode declarar a sua fé numa oportunidade clara e razoável. Só não demore muito, a demora pode estimular uma indefinição em seu comportamento.

Outra coisa importante é a autoestima. Se puder, deixe a sua bem pra cima. Não se sinta inferiorizado, mesmo que seu conhecimento ou sua preparação no ensino médio, não tenha sido uma das melhores. Você pode estudar; se preparar, e tornar-se um bom aluno. Lembre-se, autoconfiança (e não arrogância) é uma boa ferramenta para futuras situações como profissional e como cristão. Agora, enquanto não se sentir suficientemente seguro pra falar, mantenha a boquinha fechada. Evite falar demais, pessoas inteligentes geralmente optam por frases curtas e precisas. Evite falar demais nas primeiras aulas! Você não precisa provar nada pra ninguém. Suas palavras precisam ser aguardadas como a cereja do bolo! Seja um estrategista, sempre que iniciamos contato com um novo grupo, devemos gastar um tempo no reconhecimento e, na observação. Ouça os outros primeiros – estude os professores, os colegas, os alunos faladores etc. Guarde-se para o momento certo. Você é especial! Sinta-se assim, pessoas especiais não tagarelam – suas falas são aguardadas, por que são raras e coerentes. Lembre-se, mesmo o sol só é visível durante o dia!

Segunda Dica: Os professores

Acostume-se com uma coisa: “existe todo tipo de professor” e você precisa passar por todos. Existe o amigão, o ético, o gente fina, o exemplo, o motivador, o preguiçoso, o desinformado, o despreparado, “o caxias”, o frustrado e etc. A cada período você vai conviver com eles, não determine sua rotina de estudo e desenvolvimento profissional baseado no perfil de seu professor. Mesmo assim, dependendo do seu curso, as ideias e conceitos podem ser ateístas ou deístas (crença em um ser superior, mas não na revelação bíblica). Professores ateus, normalmente são hábeis no discurso, (sobretudo nas Disciplinas de Filosofia, História, Sociologia e nas Ciências Exatas e Naturais). Eles têm do seu lado a autoridade do magistério, a reverência da turma e, alguns se “acham os tais”. Seu primeiro desafio começa aqui. Alguns são instigadores, provocam discussões, outros até mal intencionados, passam textos para fichamento na pretensão de confrontar a fé, ou a concepção de comportamento moral da religião. Alguns professores não gostam de ser inferiorizados, por isso não importa o quão superior seja o seu argumento; fale com humildade, mas sem transparecer insegurança ou falta de convicção. Não encare nenhum professor como um rival, mas como alguém que pode ser estimulado a entender seu ponto de vista, sem necessariamente render-se a ele. Pense que você pode ser a única oportunidade que ele pode ter de ouvir o evangelho de Jesus de forma franca e sem excessos religiosos.

Terceira Dica: As aulas

A intrepidez em sala de aula é extremamente louvável. Confrontos com colegas e professores, algumas vezes são inevitáveis para um cristão convicto. Porém, a discussão mais acalorada deve ser evitada sempre que possível. Abordagens constantes ou diárias farão de você um chato. Todo discurso repetitivo por melhor elaborado que seja torna-se maçante e perde a força retórica. Queremos evitar aqui, a classe se entreolhando sempre que você levantar o seu braço para opinar. Por isso, é preciso saber a hora certa de falar, espere, respire – articule bem seu comentário primeiramente em sua cabeça, e só quando tudo estiver bem arrumadinho lá dentro, com todos os pontos que você desejar expor organizados; ai sim, você poderá levantar o braço. Não fale por impulso ou por emoção, normalmente quando fazemos isto, temos que improvisar, e as palavras não acompanham o que a gente pensava que queria dizer. Você não precisa correr esse risco, se pensar antes de falar! Não é proibido o uso de papel e caneta, se for o caso, anote e enumere no papel suas considerações antes de abrir a boquinha.

Quarta Dica – Os colegas

Se houver um grupo evangélico ou uma Aliança Bíblica Universitária em sua Faculdade é interessante conhecer e participar. Cuidado apenas para não segregar, se você andar somente com cristãos como em bandos, vai parecer que é apenas participante de outra tribo urbana. Acredite; seus argumentos em sala de aula serão melhores aceitos, se você for visto como alguém comum e, não como um fanático religioso. Se você tiver bons amigos fora de sala de aula, terá também bons aliados dentro dela. Misture com responsabilidade o máximo possível suas amizades entre cristão e não cristãos; apresente-os uns aos outros, envolva-os. A primeira vantagem desse tipo de atitude é que você teria reforço espiritual quando precisar, opiniões cristãs a favor e etc. A segunda vantagem é que evitará participar de dois grupos distintos, e não precisará estar dividido nem sujeito as oscilações naturais de conviver com estes dois dos tipos de companhia.

Quinta Dica – As provas, trabalhos e desempenho

Se for estudioso e ao mesmo tempo solicito e atencioso com seus colegas, suas chances de ter algum tipo de influência sobre eles aumentará incrivelmente. Esforce-se para estar pelo menos, um passo a frente nos estudos em uma ou outra disciplina e, quando conseguir isto, seja humilde e solidário, pronto a ajudar seus colegas nos trabalhos e antes das provas. Se há duas coisas que causam uma antipatia coletiva imediata é um colega metido a sabichão ou um colega de turma que só olha pra si, e pra suas notas – evite qualquer uma dessas famas. Não estou dizendo que você precisa ser o melhor da turma, mas, por favor, não seja o pior. Um estudante desinteressado; relapso, consegue bem pouco respeito da turma.

Sexta Dica – As Festinhas e Calouradas

Toda universidade tem ao longo do curso, dezenas de calouradas por ano, festas de arrecadação pra formatura e outros eventos da turma etc. Jamais fui a uma, entendo que não há necessidade de participar, por mais bem intencionada que seja ou por mais que isto ajude em sua “socialização”, e por mais que alguém justifique que isto o ajudará a se entrosar para ganhar almas. Uma lógica assim é perigosa, e pouco produtiva. Ser confundido como alguém que não está sujeito a limites sociais vai dificultar muito mais o seu trabalho de evangelização do que facilitá-lo. Acredite, não vale à pena esse tipo de mistura, mesmo que alguém diga que Jesus comia e bebia com pessoas de má fama, o contexto era bem diferente de uma calourada ou uma festa temática ou de um carnaval fora de época ou qualquer coisa assim.

Se você se recorda das primeiras dicas, sabe que nunca orientei que você se afastasse ou se segregasse dos demais colegas. Mas, agora, sem ser paradoxal, estou realmente dizendo, que uma festa universitária em vários aspectos; é algo ruim; vou mencionar pelo menos dois:

Primeiro – Normalmente numa calourada ou festa desse tipo, sempre tem bebida alcoólica, mesmo que você não beba (o que já é um bom começo), outras pessoas bebem e a bebida desinibe as pessoas – tornam elas mais acessíveis e vulneráveis. Por melhor que você se comporte, correrá desnecessariamente o risco de viver situações de tentação, com um rapaz ou com uma moça que não está sob os mesmos limites de sua fé. Lembre-se, que você é de carne e não de ferro.

SegundoVocê não faz ideia o quanto situações assim atrasam um trabalho contínuo de evangelização – as mentes e expectativas das pessoas em relação a você ficarão extremamente confusas. Mesmo aquele colega que insistiu para que você participasse daquela festa, no íntimo ficará decepcionado. Por que, toda a alma tem a necessidade de ser salva, e a dele, mesmo inconscientemente criou a esperança de que você ajudaria nisso.

Além das calouradas, se você de fato, tiver amigos na universidade, surgirão outros convites para algumas festas: casamentos, aniversários, bailes de formatura e etc. Você não deve desgastar a sua imagem aceitando a todos eles, é de bom alvitre ser seletivo. Então transforme o convite escolhido numa oportunidade de pregar sem palavras. Compre o presente que quiser e junto dele, não tem problema de entregar outro interessante: um cd ou DVD evangélico, uma bíblia, um bom livro evangélico. Não é brega, nem inconveniente dar presente evangélico não! Pelo contrário, além da possibilidade de evangelização, você estaria sinalizando quem é. Cuidado apenas, para não subentender que é um religioso e não um cristão, o que se diferencia pelo excesso de atitudes, de gentilezas e de proximidades com seus colegas de turma. Isto quer dizer, que dar um presente evangélico não se confunde com uma regra, mas uma sugestão; esteja apto para fazer adaptações contextuais para essa dica. No geral, confie no que digo; as pessoas não estranharão se você evangélico der um presente evangélico.

Ao chegar, sente-se e tome um refrigerante ou suco. E, avalie bem, se vai ingerir bebida alcoólica, mesmo um “coquetelzinho” ou uma taça de vinho. Algumas pessoas têm a tendência de oferecer esse tipo de bebida assim que chegamos numa festa, por que imaginam que são bebidas “permitidas” aos evangélicos. Mas, muitas destas pessoas, estão esperando também a chance de “jogar” isto na sua cara ou de levantar questionamentos a respeito, evite situações assim. Mesmo o cristão que se permite às vezes, a ingestão moderada de uma taça de vinho; por exemplo, deve evitar a aparência do mal, deve saber escolher o ambiente, e perceber quem está a sua volta, e se a longo ou médio prazo, tal exposição não será mais prejudicial do que socializadora.

Sétima Dica – A Abordagem Direta

Não tenho dúvidas de que sua postura nas aulas, os papos, os testemunhos são formas indiscriminadas de semear a palavra de Deus, mesmo sem uma pregação direta e verbalizada. Não vejo, a invisibilidade como uma opção para o cristão genuíno, que entende a importância de no meio acadêmico; desmistificar preconceitos religiosos e assumir sua identidade de discípulo de Cristo.

Além disso, se houver no seu coração o desejo de ir mais além, e ganhar almas para o reino de Deus na universidade; deve se preparar para adotar também uma abordagem mais objetiva, iniciando um programa de evangelismo pessoal. A partir dessa decisão, pense em alguns alvos, ore por alguns amigos, e ainda dependendo de sua intimidade com ele, e de sua própria timidez – decida o tempo e a oportunidade de cada estratégia: uma conversa, um testemunho, um livro ou convite para uma reunião ou culto de sua igreja.

Seguidas, ao seu modo, estas dicas, não se sinta frustrado se houver poucas conversões por seu intermédio, acredite que sua postura, seu jeito de ser e suas palavras; ficarão marcadas nas mentes de colegas e professores e, um dia longe de seus olhos e ciência, o Espírito Santo ceifará o que você semeou.

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A Fé Nega a Razão?

Keith Mathisonthe-thinker-1090227_960_720

Diz-se que quem define os termos, vence o debate. Os céticos sabem disso e tiram vantagem. Observe uma das famosas definições de “fé” fornecidas por incrédulos. Mark Twain, por exemplo, brincou: “fé é crer no que você sabe que não é verdade”. Mais próximo aos nossos dias, o escritor ateu Sam Harris definiu fé como “a desculpa que pessoas religiosas dão a si mesmas para continuarem acreditando quando as razões falham”. Richard Dawkins, talvez o mais famoso ateu da nossa geração, afirma: “fé é o grande escape, a grande desculpa para fugir da necessidade de pensar e avaliar a evidência. Fé é a crença a despeito, ou até talvez por causa, da falta de evidência”.

A única coisa que todas essas definições têm em comum é a, explícita ou implícita, ideia de que a fé está em conflito com a razão. Infelizmente, alguns cristãos na história da igreja disseram coisas que deram suporte a essa visão de relação entre fé e razão. Martinho Lutero, por exemplo, fez declarações negativas muito pesadas sobre a razão, muitas das quais são citadas por céticos em suas tentativas de provar que o cristianismo é inerentemente irracional. Lutero chamou a razão de “a maior meretriz do Diabo”. Ele disse em diversos contextos diferentes que a razão deveria ser destruída. O contexto é crucial, porque nessas situações Lutero estava falando sobre a arbitrariedade da razão humana sozinha de discernir coisas divinas. Ainda assim, sua tendência à hipérbole passou a bola para os céticos.

A vasta maioria dos cristãos ao longo da história, todavia, não rejeitaram o correto uso da razão. Isso se sustenta pela tentativa deles de serem fiéis ao ensino da Escritura, que por si só fornece razões para crer. João escreveu seu evangelho inteiro para fornecer razões para crer que Jesus é o Cristo (João 20.30-31). João, Pedro e Paulo apelam à evidência para as afirmações que eles fazem (1 Co 15.5–6; 2 Pe 1.16; 1 Jo 1.1–4). Todos os seres humanos creem em certas coisas baseados no testemunho de outros. Os cristãos creem no que creem baseados no testemunho dos apóstolos. Tal fé é um dom, mas não é divorciada da razão.

Se vamos entender melhor o relacionamento entre fé e razão, devemos ter um entendimento mais claro sobre essas duas palavras. A palavra é usada de diversas maneiras diferentes pelos pensadores cristãos. Ela pode se referir às crenças que os cristãos têm em comum (a “fé cristã”). A palavra também pode se referir à nossa resposta a Deus e às promessas do evangelho. Isso é o que as Confissões Reformadas querem dizer quando falam de “fé salvífica” (por exemplo, CFW 14). Essa fé envolve conhecimento, concordância e confiança. Por último, muitos filósofos e teólogos falaram da fé como uma fonte de conhecimento. Como Caleb Miller explica: “As verdades da fé são aquelas que podem ser conhecidas ou justificadamente cridas por causa da revelação divina, e são justificadas por terem sido reveladas por Deus”.

A palavra razão também tem sido usada de maneiras diferentes. Ela pode se referir às nossas faculdades cognitivas humanas. A relação entre fé e razão nesse sentido envolve perguntar se as crenças cristãs são razoáveis. Em outras palavras, nós usamos apropriadamente as nossas faculdades cognitivas ao avaliar essas crenças? Nós também podemos usar razão para se referir a uma fonte de conhecimento. Em contraste com as “verdades da fé” conhecidas por revelação divina, as “verdades da razão”, nesse sentido, são verdades conhecidas através de faculdades naturais como percepção sensorial e memória. Um conflito entre conhecimento derivado de faculdades humanas naturais e conhecimento derivado da revelação divina só ocorre se uma aparente contradição surge. Finalmente, no sentido mais limitado,razão pode ser usada para se referir ao raciocínio lógico. Cristãos nunca devem argumentar que há um conflito aqui, porque essa faculdade é parte de quem somos como seres humanos criados à imagem de Deus.

A maior parte da discussão contemporânea sobre o suposto conflito entre fé e razão surgiu no contexto de discussões a respeito de ciência e religião. Limitações espaciais impedem uma discussão completa sobre essa questão, mas alguns pontos gerais devem ser avaliados para nos ajudar a entender como pensar sobre quaisquer supostos conflitos que venham surgir. Em primeiro lugar, devemos reconhecer com Agostinho, João Calvino e muitos outros que toda verdade é verdade de Deus. O que é verdade, é verdade porque Deus revelou, criou ou decretou.

ELE REVELOU: Tudo o que Deus revela, quer seja através da revelação geral na sua criação, ou através da revelação especial na Escritura, é necessariamente verdade. É impossível que Deus minta.

ELE CRIOU: Quando aprendemos algo a respeito da criação que corresponde com o que Deus criou de fato, nós aprendemos algo verdadeiro. Deus é a fonte dessas verdades em virtude do fato de ele ser o Criador.

ELE DECRETOU: Deus é aquele que decretou tudo o que vem a acontecer. Quando aprendemos algo sobre a história que está de acordo com o que de fato aconteceu, nós aprendemos algo de verdadeiro na medida em que o nosso conhecimento corresponde ao que realmente aconteceu, e o que de fato aconteceu, só aconteceu, em última análise, porque Deus decretou que acontecesse.

Um segundo ponto principal que deve ser analisado é o seguinte: se toda a verdade tem a sua fonte em Deus e toda a verdade é unificada, então uma coisa que sabemos por certo é que se há uma contradição entre uma interpretação da Escritura e uma interpretação do que Deus criou, então uma ou ambas as intepretações estão incorretas. Não podem ser ambas corretas. Cristãos devem reconhecer que o conflito pode ser devido a uma interpretação errada da criação, a uma interpretação errada da Escritura ou a uma interpretação errada de ambas. Isso significa que temos que fazer um meticuloso e cuidadoso exame tanto da teoria científica quanto da exegese bíblica para descobrir a fonte do conflito. Devemos nos certificar de que estamos lidando com o ensino verdadeiro da Escritura, em vez de uma interpretação equivocada da Escritura. E devemos examinar a evidência da teoria científica em questão para descobrir se estamos lidando com algo que é verdadeiro sobre a criação de Deus ou algo que é meramente especulação. Todo esse trabalho árduo leva tempo, e isso significa que não devemos saltar a conclusões precipitadas.

Deus nos criou à sua imagem como criaturas racionais. Nossas faculdades cognitivas foram distorcidas pela queda, mas não foram destruídas, e até mesmo incrédulos podem usar essas faculdades para descobrir verdades a respeito das coisas terrenas — ao contrário das coisas celestiais, sobre as quais eles são completamente cegos (Calvino, Institutas da Religião Cristã, 2.2.12-21). Nós não compreendemos Deus plenamente, mas isso é porque somos finitos e Deus é infinito. Fé e razão, entendidas corretamente, não podem estar e não estão em nenhum conflito real.

Tradução: Alan Cristie