Antes de tomar uma decisão

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Completamente livre da preocupação de ser acusado de usar um argumento rebuscado cientificamente e, mesmo correndo o

Benzopyrene_DNA_adduct_1JDGrisco de caminhar à beira de um discurso relativista, não tenho qualquer pretensão de uma auto inclusão acadêmica; mesmo por que afeiçoo-me muito mais a ideia de que revelação das Escrituras não se submete mais elementarmente à natureza e à razão do que à fé pura e simples.

Por igual dedução, de que a revelação divina tão convicta de si, não teme palmilhar nem a cosmologia científica, nem os fenômenos antropológicos da religião é que voluntariamente promovo, nesse debate uma percepção dualista de que nós cristãos guardamos em nós uma dupla experiência – enquanto o homem natural não discerne as coisas espirituais; o espiritual privilegia-se de poder se quiser; conviver e discernir a ambas.

Embora a palavra da cruz se discirna espiritualmente – o Deus criador de todas as coisas, inclusive das leis naturais não se embaraça no confronto racional sobre qualquer assunto. Lamento pela ciência materialista que mesmo em seu campo pode ser facilmente superada pela mais simples argumentação racional ou filosófica. Posso exemplificar essa afirmação com alguns trechos de um artigo que escrevi há alguns anos:

“(…) permita-me questionar o mais básico princípio da teoria darwinista sobre a evolução das espécies; segundo a qual os mais fortes sobrevivem, ainda que tenham que mudar ao ponto de transferir para seus descendentes, características das mais elementares. Desse modo, para a evolução materialista (darwinista), quando os mais fortes se adaptam para sobreviver se exalta seu valor individual, mas quando transfere as mudanças para os descentes – o interesse pelo indivíduo se encolhe. A evolução nestes termos; renega o indivíduo em detrimento da espécie; ignora-se que o mérito da mudança (da sobrevivência) deu-se ao indivíduo primeiramente e não à espécie.

No desdobramento desse raciocínio, consideremos o mais simples e elementar ser vivo conhecido no mundo, o “vírus da gripe’- um organismo sem grandes complexidades – mera camada lipoprotéica (gordura e estrutura celular mínima) envolvendo uma cadeia de DNA, tão igualmente simples. Este ser possuí o básico para continuar existindo, informações mínimas para existir e reproduzir, mas mesmo assim, é um imperialista dominador! Sua vida parasitária, só consegue sobreviver sob a sugação de outro ser vivo – sendo que mesmo para se reproduzir é com os nutrientes e estrutura do seu hospedeiro (da célula infectada) que poderá continuar existindo. Incrivelmente, sua estrutura é tão simples e frágil, que qualquer sistema simples de auto-defesa poderia destruí-lo, entretanto, movido pelo instinto mais simples de sobrevivência, ele muda constantemente.

Da observação dessa única experiência, afirmo que o caráter mais elementar da evolução não é a “lei do mais forte” e, sim, o instituto que move seres simples e complexos a continuarem vivos ainda que tenham que mudar (de ideia, inclusive).
Exatamente o que estou dizendo é que não precisa ser forte para sobreviver, mesmo os fracos movidos por instinto de auto-preservação são capazes de superar os próprios limites para continuarem vivos. E se a própria teoria da evolução deveria aceitar que isto não começa na espécie, mas no indivíduo – passo a pensar na vida não pelo todo, mas pela parte. E é neste ponto que me deparo inevitavelmente com o cerne bíblico.
(…) Eis o que quero sugerir – se assumo que a sobrevivência dever ser vista a partir do indivíduo e não da espécie, o tempo em que ela pode ser preservada passa a ser igualmente importante. E, quanto maior o tempo de preservação, maior o valor que devemos dar a ela. Desta conclusão, não teremos dificuldade em afirmar que a verdadeira vida não é a terrena, e, sim a eterna.

(…) Desta razão, pela inquestionável ideia de que acima de tudo, deve prevalecer o instinto de autopreservação, entendo que o homem deveria preocupar-se mais com a vida após a morte, pelo desejo mais elementar de todos, “continuar vivo” e consciente! Nisto o materialismo fracassa.

Como se pode admitir uma evolução em que materialmente todos desejamos continuar existindo (como espécie), mas despreza-se o singelo fato, da inutilidade da vida, se esta não se perpetua depois da morte? Penso que com o mesmo vigor que todo ser vivo luta para continuar vivo, o homem deveria ocupar-se, e preocupar-se mais com a vida eterna. E, como um animal em extinção espiritual lutar vorazmente; entrar em uma guerra pela salvação de sua alma e exigindo-se de si tempo e esforço, para entender os meios de conseguir a vida eterna, uma vez que esta representaria sua sobrevivência atemporal. Se ainda que em pequena escala esse argumento for aceitável, qualquer um que despreze a importância da vida eterna é menos inteligente que um simples vírus da gripe.

(…) Iniciada a busca por sua sobrevivência eterna, o homem deve considerar que o início dessa jornada precisa se não atravessar, pelo menos contornar algum tipo de experiência religiosa. E, sem qualquer indução sectarista; o Cristianismo rapidamente supera todas as demais.

Diante de vários mitos e filosofias que explicam a criação e sugerem a salvação; para não dispersar; atenho-me apenas a análise das matrizes primárias das religiões universais, e a alternativa mais inteligente se apresenta dentre as opções que preciso escolher: a perda da consciência racional a cada reencarnação (hinduísmo, espiritismo); a ideia de um lugar prévio de sofrimento para purgar pecados (catolicismo), ou ainda um paraíso deleitável com dez virgens para intrépidos suicidas (islamismo) (…).

Por isso, o bom sobrevivente que deseja permanecer vivo para toda a vida eterna, deve perceber que sua melhor opção seria também a mais logicamente plausível, qual seja aquela revelada nas Escrituras, que desvenda a vida do Deus cristão, a sua história e o seu plano de salvação, este plano é racionalmente notável, pois consegue ser o mais simples e ao mesmo tempo o mais engenhoso (como todas as invenções e deduções racionais deveriam ser); o mais inteligente e ao mesmo tempo o mais, sensível e compassivo às necessidades do indivíduo – a história da cruz de Cristo revela um roteiro traçado com seriedade e ao mesmo tempo com um sofisticado bom humor (a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens), pelo qual um Deus soberano e eterno criou todas as coisas, e concede ao homem à capacidade de livremente escolher um outro caminho (o seu próprio), e este optou pela desobediência e separação de seu criador e pai, mas este de antemão havia tecido a história para que na plenitude dos tempos conseguisse conciliar o homem pecador para si através da doação pessoal de si mesmo na pessoa de seu filho Jesus na cruz do Calvário.
(…) Para o Cristianismo, o arrependimento e o novo nascimento tornam-se instrumentos da única condição evolutiva de sobrevivência espiritual sem a qual o homem não poderá ver a Deus ou conseguir a vida eterna. Se qualquer homem ou mulher não nascer de novo por meio da Palavra de Deus e do Espírito, estará condenando não uma espécie, mas a si mesmo como um ser pessoal à extinção. A busca por esse entendimento é um sinal de inteligência. Assim, ponderar inicialmente sobre tal resenha do plano da salvação deveria instigar o homem racional a aceitar ainda que por um instinto de autopreservação de que de onde viemos é menos importante do que o lugar e o tempo para onde iremos. (…)

Pastor Márcio Moraes

Igreja de Cristo em São Luís (MA)

(Trechos extraídos do artigo “Antes de tomar uma decisão” do mesmo autor)

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