“Ele rouba, mas também faz…”

dinheiro-corrupção

“Eis-me aqui! testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido. De quem tomei o boi? ou de quem tomei o jumento? ou a quem dinheiro-corrupçãodefraudei? ou a quem tenho oprimido? ou da mão de quem tenho recebido suborno para encobrir com ele os meus olhos? E eu vo-lo restituirei.”

I Samuel 12-3


 

Em uma sociedade tão carente de valores éticos e com uma cultura que exalta a “esperteza e a malandragem”, como a nossa, não é de se admirar que valores como honestidade, fidelidade e honra sejam relativizados. Vivemos na cultura “dos males, o menor”, onde admite-se que um gestor público possa reservar a si o direito de certas “compensações”, pelas suas realizações como líder. Quem nunca ouviu a frase ” é…ele é desonesto, mas quem não é ?  ao menos ele faz alguma coisa pelo povo.” Desta forma, parece que ter algo a apresentar permite que se abra mão da ética e da eficiência.  Não existe uma noção de coletividade na gestão pública, quem governa, seja na esfera municipal, estadual ou federal na maioria das vezes preocupa-se em beneficiar segmentos da sociedade que possam render votos e garantir projetos ideológicos ou simplesmente projetos pessoais.  É triste constatar que em nossa nação, na maioria dos casos, não existem alternativas sadias. O que existe é uma tentativa de se escolher “o menos ruim”. Mais do que nunca, precisamos urgentemente de novos líderes, de pessoas com uma mentalidade renovada, onde o ser ético não seja o diferencial, mas seja um requisito básico, como na verdade, deve ser.

No texto bíblico acima,  o profeta Samuel apresenta no fim do seu ministério um desafio ao povo, o qual poucos poderiam fazer: desafia a qualquer um mostrar uma falha sequer  de seu caráter durante todo o seu ministério. Samuel poderia apresentar tudo aquilo que ele realizou orientando toda uma nação e seus líderes, mas ao invés disto, Samuel apresenta a sua integridade. Nossas realizações sejam elas em que área forem, precisam estar sedimentadas no nosso exemplo e na prática da ética e da justiça. Nenhuma ideologia justifica a relativização da ética, nenhuma liderança ou governo pode abrir mão dela, nenhuma pessoa digna poderá colocar as suas realizações acima da sua integridade. Façamos, mas sejamos dignos.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.