Maturidade Cristã

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“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido”  I Carta aos Coríntios, 13 – 11-12Picture1

Do ponto de vista científico, maturidade é o estágio final de um processo. A biologia explica as diversas fases do desenvolvimento dos seres vivos, desde a concepção até ao envelhecimento e consequentemente, o fim da existência. Do ponto de vista psicológico, as experiências de vida trazem a maturidade mental necessária, assim como o passar dos anos trazem o equilíbrio hormonal para o corpo e mente. No entanto, é preciso desconstruir alguns mitos sobre a maturidade. Em primeiro lugar, a idade traz a maturidade biológica mas isso não quer dizer necessariamente maturidade emocional: muitas pessoas que julgamos maduras em função da idade, podem apresentar comportamentos infantis dependendo das circunstancias apresentadas. Em segundo lugar, conhecimento nem sempre é diretamente proporcional a maturidade: existem muitas pessoas com elevado grau de instrução, mas isto não quer dizer que todo este aprendizado seja efetivamente posto em prática nas diversas situações do cotidiano, afinal, acúmulo de saber não quer dizer necessariamente sabedoria de vida  (Hebreus 5:12).

No texto que consta  na abertura deste artigo, podemos observar que o apóstolo Paulo faz uma analogia entre o desenvolvimento biológico humano e o desenvolvimento que leva a maturidade espiritual, mostrando que, assim como as prioridades da infância vão sendo substituídas pelas prioridades da vida adulta, o nosso desenvolvimento espiritual deve seguir o mesmo raciocínio: precisamos avançar em busca da maioridade espiritual, do amadurecimento baseado nas experiencias com palavra de Deus e com o sobrenatural Dele. Friedrich Nietzsche (1844-1900) disse que “O homem chega à sua maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira.”  Não se pode exigir de um menino, um determinado comportamento que não pertence ao seu mundo interior. Aquilo que julgamos como brincadeira é perfeitamente compatível com a compreensão de mundo de uma criança e é levado a sério por ela. O que se espera naturalmente, é que, à medida que ela cresce e amplia sua percepção, passe a definir novas prioridades, absorver outros valores e assumir responsabilidades diferentes. É exatamente isto que precisamos fazer ao conhecer o evangelho: precisamos de um desenvolvimento contínuo num mundo totalmente novo e com valores bem diferentes da nossa formação natural.

 A maturidade nos leva a corrigir nossas falhas e nos motiva a corrigi-las. Saul foi o primeiro rei em Israel. Sua trajetória de vida começou de forma exitosa e terminou tragicamente. Porém, houve um momento da vida de Saul (1 Samuel 26:21) onde este reconheceu, através de uma atitude madura, que a sua perseguição a Davi era o resultado irracional de sua inveja. A partir de então, apesar de Davi não ter confiado nas palavras de Saul, não houve mais atitudes hostis da parte de Saul contra ele. A maturidade nos leva a capacidade de praticar a autocrítica; nos leva a entender que assim como as outros, nós também temos nossas limitações e potencialidades.

Através das experiências com as adversidades, adquirimos maturidade para enfrentar com serenidade novas crises.  Em um dos seus ensinos  (Romanos 5 : 3-5 ) Paulo, explica que na dificuldade aprendemos a esperar, a entender que nem todas as coisas são regidas pelo nosso imediatismo e que a espera nos ajuda a adquirir experiência, pois conseguimos enxergar soluções que precisam de tempo para se revelarem. Por fim, a experiência traz a esperança, esperança de que ao final de cada processo não nos faltará a direção de Deus nem o seu conforto e consolação.

A maturidade nos habilita a falar e agir com sabedoria (Eclesiastes 3:7 e Provérbios 25:11). Ela nos permite sentir o momento, as circunstancias e assim guiar nosso falar de maneira adequada. Existem momentos nos quais o silencio é a melhor resposta, outros nos quais a palavra bem-humorada é a mais adequada, outros onde a repreensão nos alerta do perigo. Há pessoas que brincam o tempo todo, outras estão sérias em todos momentos. A maturidade está em entender as circunstâncias e as necessidades do outro e assim oferecer a resposta adequada a estas.

Não existe uma fórmula para alcançar a maturidade, principalmente a maturidade espiritual, onde nossas experiencias seculares não possuem relevância ao tratar questões que estão além da percepção humana. O Evangelho é o poder de Deus, sua revelação a nós e isto não pode ser absorvido meramente por nossa percepção humana (I Coríntios 2:14-16). Existem muitas pessoas que ao serem inseridas no contexto da Igreja acham que a sua experiencia humana lhes credencia a ministrar e instruir outras vidas. Ao sermos inseridos na nova realidade do Evangelho precisamos de tempo, humildade e persistência para crescermos de glória em glória segundo nosso modelo soberano: Jesus Cristo. Esta é exatamente a proposta do Apóstolo Paulo. Entretanto, existem algumas posturas que podemos tomar para nos auxiliarem em nosso desenvolvimento. A primeira é que precisamos aprender com as experiências. Isto significa assumir um compromisso de agir de forma diferente, baseado na aprendizagem já adquirida. A segunda é entender como nossas emoções interferem em nossas decisões e atitudes e aprender a reagir a elas com a ajuda do Espírito de Deus. Por fim, é preciso tomar a decisão de mudar, ou seja, estar disposto a abrir mão do que for necessário para adquirir a maturidade espiritual, e esta, talvez, seja a atitude mais difícil.  Em (1 Coríntios 3:1,2) Paulo faz uma alerta aos seus leitores, utilizando a palavra carnais (sarkikos) para indicar uma disposição mental de aceitar um estado humano limitado aos desejos e que impede o nosso desenvolvimento espiritual. Ele nos motiva a deixarmos a condição de meninos em Cristo, e buscarmos a vivência de valores expressos na ética, no altruísmo, no serviço e na anunciação do Evangelho em detrimento do egocentrismo, da vaidade, da superficialidade, do partidarismo e do sectarismo.

Pense nisto.

One thought on “Maturidade Cristã

  1. esta relacionada a maturidade. Paulo diz que Timoteo, e por extensao eu e voce, somos incompletos, inacabados e imaturos. A Biblia e o meio que Deus usa para nos finalizar e completar, trazendo-nos a maturidade.

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