Lealdade ou covardia ?

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“Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos.” Provérbios 27:05 e 06

Costumamos desenvolver um sentimento de proteção para com pessoas ou mesmo ideias as quais nos afeiçoamos. Este é um sentimento natural, nascido a partir da empatia e da identificação que sentimos com alguém que possui qualidades admiradas por nós ou ainda que nos inspiram ou ensinam. A nossa tendência é proteger essas pessoas ou ideias de qualquer ataque que possa danificar imagem que guardamos no coração a respeito delas.

Defender uma pessoa por quem sentimos afeição é um instinto natural, notadamente verificado nas mães, ainda que o filho não lhe dê motivos para inspirá-las ou que este instinto muitas vezes prejudique a formação moral do filho. Muitas pessoas ao defenderem uma ideologia, partido ou sistema religioso fazem exatamente isto: não são capazes de se colocar em outro ponto de vista de onde podem observar falhas, desvios e necessidades de correção justamente por sentirem-se “mães” do objeto da sua afeição.

Basta observarmos a defesa cega de partidos, ideologias ou doutrinas para notarmos o quanto é doloroso abrir mão do sonho construído em torno do objeto de afeição. É preferível negar a realidade, encontrar as mais ilógicas explicações e até, em muitos casos, utilizar-se da mentira e do auto engano para que a linda imagem construída não seja sequer arranhada.

Graças a Deus porque seu amor para conosco é isento de superproteção. Graças a Deus que o seu amor por muitas vezes dói e às vezes dói muito, basta olharmos para a História de Israel. A afeição de Deus é totalmente desvinculada de qualquer interesse pois Ele não precisa de ideais, referências, nem da construção de sonhos em torno de nada ou ninguém, pois é plenamente suficiente em si mesmo. Ele ama por escolha e o seu amor se manifesta muitas vezes quando toca na ferida ainda aberta, quando utiliza a tristeza como ferramenta necessária ao arrependimento (II Coríntios 7:10) ou quando nos confronta para nos trazer de volta a realidade. A sua negativa é prova do seu cuidado.

A pergunta que precisamos fazer é: estou disposto a amar na perspectiva de Deus ? Estou disposto a confrontar o meu amado ou amada afim de abrir os seus olhos a respeito das atitudes que ele toma muitas vezes até sem ter consciência delas ? Tenho coragem suficiente para criticar os grupos as quais pertenço, ideias ou movimentos pelos quais levanto bandeiras ? Uma pessoa que não recebe críticas e nunca é repreendida, na verdade vive isolada da realidade (Provérbios 18:1). Amar implica em ter a coragem de repreender, exatamente como Jesus ensinou (Mateus 18:15). A repreensão nestes moldes é na verdade um ato de amor. Mesmo os fariseus, duramente censurados por Ele, foram objetos do seu amor. Não confrontar as pessoas por quem temos afeição não é lealdade, na verdade, é covardia, pois por mais que isso possa nos afastar delas ou nos trazer constrangimento, no tempo certo, de uma forma ou de outra, elas reconhecerão que quem teve a coragem de machucá-las em nome da verdade, foi quem realmente as amou.

Pense nisso…
Pb. Geraldo Jordão de Andrade Jr.

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