Uma outra visão para a prosperidade

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“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.”

Filipenses 4:10 e 11

 

A carta de Paulo aos Filipenses chama a atenção pela ênfase na alegria e no contentamento cristão, sendo chamada por alguns de a “epístola da alegria”. Realmente chama a atenção o fato desta carta ter sido escrita quando Paulo estava preso e na expectativa de receber uma condenação. O texto citado acima revela a alegria de Paulo pelo fato dos Filipenses terem se mobilizado mais uma vez para suprirem a necessidade do apóstolo em um momento de privações assim como o tinham feito quando na sua viagem à Tessalônica.

 A alegria de Paulo se deve primeiramente ao fato de que os Filipenses, através da vida de Paulo, podiam exercer a generosidade como característica de filhos de Deus e desta forma, apresentar a Deus um sacrifício de “aroma suave” (como nas ofertas do Antigo testamento). O significado da palavra “reviver” usada no texto está relacionado com uma planta que brota novamente e nos remete a uma manifestação de amor que se releva mais uma vez, através de uma demonstração de generosidade materializada em bens, da mesma forma que uma nova planta surge da terra e se revela ao exterior.

Entretanto, Paulo revela que a sua alegria não está condicionada apenas a satisfação de sua própria necessidade. Paulo utiliza a expressão grega autarkes, traduzida aqui como contentar-me. Esta expressão muito utilizada pelos estoicos da época de Paulo (que entre outras coisas, ensinavam a necessidade de dominar as emoções nas diversas situações) está relacionada a capacidade de se manter independente das circunstâncias externas e de não ser afetado emocionalmente por elas. Na visão do estoicismo (fundado por Zenão de Cítio, 300 a.C.) o homem deve disciplinar-se afim de se adaptar as variáveis da natureza.

A grande diferença entre Paulo e os estoicos é que Paulo não acredita possuir suficiência em si mesmo; o que ele enfatiza é que a experiência de vida no evangelho lhe ensinou que em todas as circunstâncias, tanto nas favoráveis como nas desafiadoras, Deus sempre lhe proporciona o suficiente para sua sobrevivência tanto física quanto mental. Ele aprendeu que não são as circunstâncias que determinam a sua relação com Deus, mas a fé de que Deus nunca o abandonará.

Vivemos em uma época onde o grau de felicidade de uma pessoa é medido pelo que ela possui. Ser bem sucedido materialmente é ser feliz. Somos identificados e classificados de acordo com o que vestimos, comemos, com os lugares que frequentamos e com as pessoas com as quais nos relacionamos. Hoje tudo é relativo a fatores externos. Paulo está nos afirmando que a sua alegria não depende de pessoas, fatos ou circunstâncias externas. Sua satisfação interior vem da consciência de que a sua relação com Cristo determina quem ele é e que, embora o apóstolo não ignore a necessidade de se relacionar com o mundo natural e com as pessoas, ele possui um fonte interior de satisfação e de contentamento. O exemplo de Cristo nos liberta do engano do ter para ser e nos leva à consciência de quem nós somos em Deus. Passamos a entender que somos o resultado da Graça de Deus em nossa vida e é isto o que nos faz passar por todas as circunstâncias com contentamento e rejeitando a inquietação.

A atitude dos Filipenses em ofertar para a obra de Deus, aqui representada em Paulo, o missionário, está alinhada com o testemunho do próprio Paulo sobre a generosidade da Igreja da Macedônia (II aos Coríntios 8). Essa generosidade brota da pobreza e supera a própria necessidade para abençoar a outro.

A verdadeira prosperidade não está condicionada à circunstância. Ela está relacionada com a capacidade de contentamento e gratidão. Quando no pouco, ela se revela na fé de que o Senhor providenciará o necessário. Na fartura, ela se revela na consciência de que não é necessariamente a abundância que confirma a aprovação de Deus e que o excedente não deve ser usado para ostentação e sim para abençoar vidas que estão na escassez. Em qualquer circunstância, a generosidade supera a necessidade e isto se manifesta como oferta agradável a Deus, Aquele que não precisa de nada, nem de ninguém, mas que se coloca no lugar do necessitado ao qual temos a oportunidade de manifestar nossa generosidade e assim oferecer como que ao próprio Deus.

One thought on “Uma outra visão para a prosperidade

  1. Maria Josilda da Silva says:

    Muito bom e confortador. Louvado seja o Senhor Deus que nos abençoa, suprindo quando quase falta e move nosso coração para dividirmos mais quando estamos abastecidos. Gratidão deve ser mover nosso coração. Bela reflexão. Abençoadora.

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